
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), determinou a suspensão do contrato firmado com a Renapsi (Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração), entidade que tem um de seus fundadores investigado por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O caso foi revelado pela Folha de São Paulo na sexta-feira (8/5), e no fim da tarde o governo anunciou a quebra do acordo.
O contrato havia sido assinado em março, ainda durante a gestão de Romeu Zema (Novo), no valor de R$ 237,6 milhões, com validade de dois anos. A contratação foi realizada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social para execução do programa Evolução Jovem, voltado à inserção de 10.000 estudantes da rede estadual no mercado de trabalho. A Renapsi tem como um dos fundadores Adair Meira, preso em São Paulo por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo uma fintech ligada ao PCC.
A Polícia Civil afirma que o empresário é o "real dono" da Renapsi, que teria sido utilizada para pagamento de boletos para a fintech 4TBank, criada por um membro do PCC. Segundo as investigações, parte dos valores pagos era transferida para outras empresas de Meira, enquanto outra quantia era repassada em espécie ao empresário, chegando a ser transportada por helicóptero. Após a repercussão do caso, o deputado estadual Professor Cleiton (PV) pediu ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que investigassem o contrato.
A Renapsi, por sua vez, afirmou à Folha que não é objeto da investigação e que Adair Meira não ocupa cargos de gestão nem mantém vínculo administrativo com a organização. A defesa do empresário também declarou que a prisão ocorreu no âmbito de uma investigação ainda em curso e que as acusações serão esclarecidas no processo, reforçando que ele não integra os quadros diretivos, administrativos ou operacionais da entidade. ]
Diante da repercussão, o governador Mateus Simões divulgou um vídeo à imprensa anunciando a suspensão imediata de qualquer pagamento à Renapsi e do próprio contrato. "Aqui em Minas Gerais a regra é clara desde o início do governo Zema e continua assim comigo. Qualquer denúncia é para a gente motivo para interromper a prestação de serviço, colocar a sub-investigação e já pus a Controladoria-Geral do Estado (CGE) para analisar se tem qualquer irregularidade no contrato em Minas Gerais. Se eles estavam tentando fazer alguma coisa errada aqui não vai dar certo, porque o contrato nem começou a operar.
A nossa tolerância para descaso, desvio, má-conduta é zero. Nós vamos continuar agindo com todo rigor contra qualquer pessoa que tentar se aproveitar de dinheiro público", disse no vídeo. O caso evidencia a fragilidade nos processos de verificação de antecedentes de entidades contratadas pelo poder público, especialmente em contratos de grande valor. A Controladoria-Geral do Estado segue analisando possíveis irregularidades no acordo firmado com a Renapsi.