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A Polícia Federal (PF) aponta que uma emenda parlamentar apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria sido elaborada pela assessoria do Banco Master e entregue impressa na residência do parlamentar. De acordo com a investigação, a proposta foi protocolada no Senado em 2024 após articulação direta do banqueiro Daniel Vorcaro, que, segundo a PF, chegou a afirmar que o texto "saiu exatamente como mandei".
Na decisão que autorizou a nova fase da operação Compliance Zero, a PF sustenta que Ciro Nogueira teria atuado em favor dos interesses do Banco Master em troca de vantagens econômicas indevidas. Os investigadores afirmam que o senador aparece como "destinatário central" dos benefícios ligados ao suposto esquema e teria usado o mandato parlamentar para defender pautas de interesse privado do banco no Congresso Nacional.
A operação foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (7/5) pela Polícia Federal, com autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Os agentes cumpriram dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária no Distrito Federal, no Piauí, em São Paulo e em Minas Gerais. A decisão também determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores ligados aos investigados.
Um dos episódios considerados mais relevantes pela investigação ocorreu em agosto de 2024, quando Ciro Nogueira apresentou a Emenda nº 11 à PEC 65/2023. A PF afirma que o texto da proposta foi preparado por integrantes do Banco Master e posteriormente entregue em envelope endereçado ao senador em sua residência. Os investigadores também apontam que, meses antes, em novembro de 2023, Daniel Vorcaro teria determinado a retirada de outros envelopes da casa de Ciro Nogueira contendo minutas de projetos legislativos de interesse do banco. Para a PF, esses elementos reforçam a suspeita de proximidade operacional entre o parlamentar e o grupo investigado.
A nova fase da operação busca aprofundar a apuração sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas, além de possíveis mecanismos usados para ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. A investigação apura crimes de corrupção, organização criminosa e infrações contra o Sistema Financeiro Nacional. A ofensiva ocorre dias após a defesa de Daniel Vorcaro entregar à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de delação premiada. O material está em análise pelas autoridades e ainda não possui validade jurídica nem valor probatório. Segundo investigadores, porém, a operação desta quinta-feira não tem relação direta com os fatos apresentados na colaboração.
A Compliance Zero já atingiu outros nomes ligados ao sistema financeiro e ao meio político. Em abril, durante a fase anterior da investigação, a PF prendeu o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que posteriormente passou a negociar acordo de colaboração com as autoridades.