
presidente lula – foto Ricardo Stuckert PR
Integrantes do governo federal, especialmente do Palácio do Planalto, têm evitado fazer ataques públicos ao presidente do PP, o senador Ciro Nogueira, alvo de uma ação da Polícia Federal na quinta-feira (7/5), no âmbito da Operação Compliance Zero. A estratégia é clara: o Planalto não quer que qualquer associação seja feita entre o presidente Lula e um suposto uso político da Polícia Federal. A avaliação se torna ainda mais sensível após o recente embate com o Senado Federal, motivado pela rejeição do nome de Jorge Messias pela Casa Alta.
O silêncio calculado do governo em relação a Ciro Nogueira reflete uma preocupação institucional que vai além da operação em si. A avaliação interna do governo é de que, por estar em viagem oficial aos Estados Unidos ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Lula fica politicamente mais distante da operação. Os dois estão no país americano para um encontro entre o presidente brasileiro e o líder americano, Donald Trump, o que reforça a narrativa de distanciamento do Planalto em relação à ação policial.
No fim do ano passado, Ciro Nogueira chegou a buscar apoio de Lula para sua reeleição no Piauí. Os dois se reuniram pessoalmente e, posteriormente, o senador também esteve com o governador do estado, Rafael Fonteles (PT), na Suíça. À época, Ciro Nogueira e petistas costuraram um acordo informal: o senador reduziria críticas à gestão federal, enquanto o governo não interferiria na disputa eleitoral piauiense.
Em outra frente, integrantes da gestão petista avaliam que setores do governo, inclusive dentro do próprio PT, já tiveram relações ou prestaram serviços ao Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro. Em março, foi revelado que parentes do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, estavam na folha de pagamento da instituição, o que adiciona mais uma camada de complexidade ao cenário político em torno da operação. O episódio evidencia o cuidado do Planalto em não transformar a Operação Compliance Zero em um instrumento de desgaste político, especialmente em um momento de tensão com o Senado Federal e de relações delicadas com aliados regionais como Ciro Nogueira.