
presidente do Senado, Davi Alcolumbre
O presidente do Congresso Nacional e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi informado previamente sobre a operação da Polícia Federal (PF) contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O aviso chegou por meio de uma ligação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, realizada nesta quinta-feira (7/5), enquanto ele se encontrava em Washington, nos Estados Unidos.
A comunicação é considerada de "praxe" aos presidentes do Legislativo sempre que um parlamentar é alvo de operação policial. O caso ganha contornos adicionais pelo fato de Ciro Nogueira integrar a mesma federação partidária de Alcolumbre, a União Progressistas, aliança que reúne o União Brasil e o PP. Andrei Rodrigues estava fora do país porque acompanha a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem uma reunião prevista com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, também nesta quinta-feira.
Ciro Nogueira foi alvo de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira em sua mansão localizada no Lago Sul, em Brasília. Segundo relatório da PF encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador mantinham uma relação que envolvia interesses políticos e financeiros. Os investigadores apontam que o parlamentar teria atuado em favor do Banco Master. No material enviado ao STF, a PF sustenta que Ciro teria exercido atuação parlamentar alinhada aos interesses do grupo empresarial de Vorcaro e que, em paralelo, teria recebido vantagens econômicas e patrimoniais.
Entre os benefícios identificados pelos investigadores estariam: - Disponibilização gratuita de imóvel de alto padrão - Custeio de viagens internacionais - Pagamento de hospedagens de luxo, restaurantes e deslocamentos - Uso de cartão destinado a despesas pessoais - Indícios de recebimento de dinheiro em espécie As investigações apontam para uma relação sistemática entre o senador e o grupo empresarial de Vorcaro, com benefícios que vão além de favores pontuais, segundo os documentos apresentados pela PF ao STF.