
Julgamento da Ação Penal 2696 – Núcleo 3 – 18/11/2025
O Rio de Janeiro continuará sob o comando do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida se a eleição para preencher a vaga deixada pela renúncia de Cláudio Castro será realizada por voto indireto dos deputados estaduais ou pelo voto direto da população fluminense. A decisão foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, em resposta a uma ação do PSD do ex-prefeito Eduardo Paes.
A disputa política no Rio de Janeiro intensificou-se após a renúncia de Cláudio Castro, que ocorreu pouco antes de sua possível cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-governador estava sendo investigado por desviar aproximadamente R$ 1 bilhão em recursos públicos para contratar milhares de cabos eleitorais ilegalmente, em um esquema que ficou conhecido como "cargos secretos".
A controvérsia atual gira em torno da forma como será escolhido o governador-tampão. O deputado Douglas Ruas, aliado de Castro e nome escolhido pelo PL para disputar o Palácio Guanabara em outubro, foi eleito presidente da Assembleia Legislativa e reivindica o cargo de governador interino, alegando respeito à linha sucessória.
Por outro lado, o PSD entrou com ação no STF defendendo que a escolha deve ser feita por eleição direta, permitindo que a população fluminense vote para escolher quem ocupará o cargo até as eleições regulares. Há duas semanas, o ministro Flávio Dino pediu vistas na ação que decidirá como será a escolha do governador-tampão, estendendo o prazo para a decisão final do STF.
O governo de Cláudio Castro deixou um legado controverso para o Rio de Janeiro. Além do escândalo dos "cargos secretos", sua gestão foi marcada por um rombo de quase R$ 1 bilhão no RioPrevidência, após o fundo injetar dinheiro no banco Master quando a instituição já era considerada problemática no mercado financeiro. Durante seu mandato, o Rio de Janeiro também testemunhou algumas das operações policiais mais letais da história da região metropolitana, incluindo ações que resultaram em 121 mortos na Penha e no Alemão no ano passado, 28 no Jacarezinho em maio de 2021, e diversas outras operações com alto número de vítimas.
A renúncia de Castro é vista por muitos analistas como uma manobra para que seu grupo político mantenha influência na escolha de seu sucessor, aproveitando divergências de interpretação entre a legislação eleitoral e as leis estaduais. Críticos argumentam que esta seria uma tentativa de garantir que um aliado assuma o controle da máquina pública, facilitando a vitória nas eleições de outubro. O caso expõe uma questão fundamental para a democracia fluminense: por que há tanta resistência ao voto direto? Defensores da eleição direta argumentam que negar à população o direito de escolher seu governador seria tratar o estado como propriedade privada e os cidadãos como figurantes descartáveis.
A decisão final do STF será crucial não apenas para definir quem governará o Rio de Janeiro nos próximos meses, mas também para estabelecer um precedente sobre o respeito à vontade popular em situações semelhantes. Enquanto isso, o desembargador Ricardo Couto segue como governador interino, administrando um estado marcado por crises políticas, financeiras e de segurança pública.