
Enviado especial do governo Trump para assuntos global, Paolo Zampolli. — Foto: OLIVER BUNIC
Paolo Zampolli, enviado especial para assuntos globais no governo de Donald Trump, atacou mulheres brasileiras durante uma entrevista à emissora italiana RAI. O conselheiro de Trump, que foi casado por aproximadamente 20 anos com a brasileira Amanda Ungaro, fez comentários ofensivos e misóginos, afirmando que brasileiras seriam "programadas" para criar problemas. Amanda o acusa de abuso sexual e violência doméstica, alegações que estão no centro de uma disputa judicial nos Estados Unidos.
Durante a entrevista, quando questionado sobre mulheres brasileiras, Paolo Zampolli não hesitou em fazer generalizações preconceituosas. "As mulheres brasileiras causam confusão com todo mundo, certo? Não é que essa foi a primeira", afirmou o italo-americano, referindo-se à sua ex-esposa.
O repórter italiano então perguntou se seria uma "questão genética" das brasileiras "para extorquir", ao que Zampolli respondeu que não, mas insistiu que as "mulheres brasileiras são programadas para causar confusão".
Os ataques de Paolo Zampolli às mulheres brasileiras se intensificaram quando o jornalista perguntou sobre uma amiga da ex-esposa. Sem saber que estava sendo gravado, o conselheiro de Trump mencionou uma mulher chamada "Lidia", sem citar sobrenome, e de forma extremamente agressiva a chamou de "uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais".
Ele continuou com os insultos, dizendo: "Aquela vaca, estávamos juntos, trepava com ela, depois ela também ficou louca".
Até o momento, nem a Casa Branca nem Paolo Zampolli se manifestaram oficialmente sobre as declarações do enviado especial para assuntos globais no governo de Donald Trump.
O relacionamento entre Paolo Zampolli e Amanda Ungaro durou cerca de 20 anos e resultou no nascimento de um filho, hoje com 15 anos, cuja guarda está sendo disputada na Justiça americana.
Amanda relata que conheceu o empresário em 2002, em uma boate em Nova York, quando ela tinha apenas 18 anos e ele 32. A brasileira acusa o ex-marido de abuso sexual e violência doméstica, afirmando que essas agressões a levaram a pedir o divórcio.
De acordo com o jornal The New York Times, Paolo Zampolli teria acionado um alto funcionário do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega) após descobrir que a ex-esposa estava detida em Miami, acusada de fraude. Amanda acabou sendo deportada em outubro de 2025.
Zampolli nega qualquer interferência no processo do ICE e alega ter apenas buscado informações para entender o caso. O serviço de imigração também afirma que não houve influência política na deportação da brasileira.
Paolo Zampolli é conhecido por sua proximidade com Donald Trump e por afirmar que apresentou o então empresário à modelo eslovena Melania Knauss em 1998. Segundo o The New York Times, Zampolli e Amanda frequentaram eventos sociais com Trump e Melania durante seu relacionamento.
Um aspecto controverso da história é a revelação de Amanda de que chegou aos Estados Unidos em um avião de Jeffrey Epstein. Paolo Zampolli é citado diversas vezes nos e-mails de Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Após sua deportação, posts atribuídos a Amanda Ungaro no X (antigo Twitter) mencionaram Melania Trump, embora a brasileira não tenha confirmado a autoria dessas publicações. "Eu te conheço há 20 anos", dizia uma das mensagens.
Em outro trecho, a postagem atribuída a Amanda afirmava que Melania sabia de sua detenção e fazia acusações sem apresentar provas: "Você sabia que eu estava detida no ICE. Você esteve presente na minha vida todos os anos no aniversário do meu filho, inclusive mandando o Serviço Secreto e sendo a primeira a parabenizá-lo, lá em 2016. Claramente havia algo errado, mas não faço parte de nenhuma missão maligna envolvendo crianças. Então o que você fez, Melania? Você tentou me envolver, mas falhou porque eu tenho caráter".
Essas publicações foram posteriormente apagadas e antecederam um pronunciamento em que Melania disse não ser vítima de Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado que teve relações sociais com Trump no passado. Epstein morreu em 2019, enquanto aguardava julgamento em uma prisão em Nova York, em um caso oficialmente tratado como suicídio.
Além das polêmicas envolvendo sua vida pessoal, Paolo Zampolli também tentou interferir na Copa do Mundo, sugerindo à FIFA a exclusão do Irã do torneio para colocar a Itália, que não havia conseguido classificação, em seu lugar.
Zampolli confirmou o pedido ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, justificando que "seria um sonho ver a Itália em um torneio nos EUA. Há currículo suficiente para justificar a inclusão".