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O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou seu afastamento da política após o término de seu mandato em 2027. Durante uma conversa com estudantes no Chipre na quinta-feira (23), o líder francês declarou que não continuará na vida política após deixar a presidência, embora especialistas e aliados não descartem um possível retorno nas eleições de 2032.
Macron, que se tornou o presidente mais jovem da história francesa ao assumir o cargo em 2017 aos 39 anos, não poderá se candidatar à reeleição em 2027 devido ao limite de dois mandatos consecutivos estabelecido pela constituição francesa. Contudo, nada o impediria de tentar novamente em 2032, quando terá 54 anos de idade.
O anúncio ocorre em um momento em que potenciais sucessores já começam a se mobilizar, com figuras como os ex-primeiros-ministros Édouard Philippe e Gabriel Attal buscando se distanciar da atual impopularidade do presidente.
"Eu não fiz política antes e não farei depois", afirmou o ex-banqueiro, que iniciou sua vida pública como ministro da Economia durante o governo do socialista François Hollande, antes de romper com ele.
Nas últimas semanas, o chefe de Estado tem se esforçado para defender seu legado, enquanto enfrenta índices recordes de impopularidade. Após deixar o poder, Macron aparentemente espera reconectar-se com o povo francês e recuperar sua popularidade, seguindo um caminho semelhante ao do ex-presidente conservador Jacques Chirac.
Um colaborador próximo ao presidente afirmou que "os últimos retoques da década que se encerra devem permitir revelar a dimensão completa" do trabalho realizado, destacando especialmente "a independência industrial europeia face às crises".
Os dois mandatos de Macron foram caracterizados por significativos desafios e controvérsias. Entre os momentos mais marcantes estão os protestos dos "coletes amarelos" em 2018, as manifestações contra a reforma da Previdência em 2023, e as medidas econômicas emergenciais implementadas durante a pandemia de COVID-19.
A recente decisão de convocar eleições legislativas antecipadas em 2024 agravou a situação política da França, resultando em uma Assembleia Nacional fragmentada em três blocos principais: esquerda, centro-direita e extrema direita, sem que nenhum deles tenha maioria para governar efetivamente.