
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Ministério da Fazenda abriu um processo de investigação contra a Betano após a empresa oferecer apostas relacionadas à convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2026, prática considerada ilegal no Brasil. Uma autoridade do ministério confirmou a apuração e foi direta ao afirmar que esse tipo de aposta não é autorizada no país: "Quem oferecer será fiscalizado e sancionado".
A Betano chegou a abrir uma live no YouTube para transmitir a convocação e divulgar apostas sobre os jogadores que poderiam ser chamados pelo técnico Carlo Ancelotti. A lei 14.790/2023 estabelece que as casas de apostas só podem oferecer apostas sobre eventos esportivos em competições organizadas, o que exclui convocações de seleções nacionais.
Entre as apostas disponibilizadas pela plataforma, estava uma odd de 1.15 para a convocação do jogador Neymar Jr., do Santos — em um momento em que o site Leo Dias já havia divulgado que o atleta recebera uma ligação do treinador Carlo Ancelotti confirmando sua presença na lista. A Betano também ofertava apostas sobre outros nomes, como o do zagueiro Thiago Silva, cujo desfalque já havia sido antecipado pelo colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, antes mesmo do anúncio oficial.
As punições aplicáveis à Betano pelo descumprimento da legislação brasileira variam conforme a gravidade da infração e o histórico da empresa. A lei prevê desde advertências e multas até a cassação da licença de operação, levando em conta fatores como a reincidência. Em nota oficial, o Ministério da Fazenda informou que a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) monitora e fiscaliza o cumprimento das regras do mercado regulado de apostas de quota fixa, conforme determina a Lei nº 14.790/2023. "A regulamentação estabelece quais mercados de apostas podem ser ofertados pelas operadoras autorizadas, sendo vedada a disponibilização de mercados não previstos. Eventuais indícios de oferta de mercados não autorizados são analisados pela SPA e, caso identificadas irregularidades, são instaurados procedimentos de fiscalização e adotadas as medidas cabíveis", ressaltou a pasta. Procurada para se manifestar sobre o caso, a Betano não se pronunciou.