
Bilionário Bill Gates e Jeffrey Epstein - Foto: Reprodução/Redes Sociais
O bilionário Bill Gates foi convocado e irá depor perante uma comissão do Congresso dos Estados Unidos que investiga as conexões do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein e sua cúmplice, Ghislaine Maxwell. A informação foi divulgada por uma fonte anônima à AFP nesta terça-feira (7).
O cofundador da Microsoft prestará depoimento no próximo dia 10 de junho, sendo um dos nomes que aparecem em documentos revelados pelo Departamento de Justiça americano, expondo amizades próximas, operações financeiras ilícitas e fotos privadas de personalidades com Epstein.
Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça revelam detalhes comprometedores sobre a relação entre Bill Gates e Jeffrey Epstein:
* A amizade entre Gates e Epstein teria começado em 2011, três anos após o agressor sexual ter se declarado culpado de solicitar a prostituição de uma menor de idade.
* Em um rascunho de e-mail divulgado, Epstein afirmou que sua relação com Gates ia desde "ajudar Bill a conseguir drogas para lidar com as consequências de ter feito sexo com garotas russas, até facilitar seus encontros ilícitos com mulheres casadas".
* Entre as personalidades mencionadas nos documentos também estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o bilionário Elon Musk e o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor.
Em fevereiro deste ano, durante uma assembleia geral com funcionários da "Fundação Gates", o bilionário admitiu ter cometido "um grave erro" ao se relacionar com Jeffrey Epstein.
Na ocasião, Gates confirmou ter tido relações extraconjugais com duas mulheres russas, mas negou qualquer ligação com os crimes cometidos pelo agressor sexual. "Sim, tive casos amorosos: um com uma jogadora russa de bridge [jogo de cartas], que conheci em eventos, e outro com uma física nuclear russa que conheci em atividades de negócios", afirmou Bill Gates durante a assembleia.
Ele também declarou que "foi um grande erro passar tempo com Epstein" e organizar reuniões entre os dois, reiterando que não fez nem viu nada ilícito. "Saber o que sei agora torna isso 100 vezes pior, não apenas em termos de seus crimes no passado, mas agora está claro que havia uma conduta imprópria contínua", disse Gates à sua equipe.
Jeffrey Epstein foi um financista norte-americano que enriqueceu com seu próprio fundo de investimentos, o "Jeffrey Epstein VI Foundation", e convivia com celebridades, políticos, membros da realeza e outras pessoas de renome mundial.
Em 2008, ele foi condenado por exploração sexual, pagando garotas menores de idade por massagens a pessoas do seu círculo social na Flórida. Um acordo judicial secreto o livrou de um julgamento federal, resultando em apenas 13 meses de prisão.
Pouco mais de uma década depois, Epstein foi novamente acusado e preso por organizar uma rede de exploração sexual de menores, com as quais manteve relações sexuais em suas propriedades nos Estados Unidos e em outros países. Nomes famosos fariam parte desta rede, incluindo o do Príncipe Andrew, da Inglaterra. Epstein cometeu suicídio em 2019, pouco depois de ser preso, antes de ser julgado pelos crimes investigados pelo FBI.
O depoimento de Bill Gates ao Congresso americano representa mais um capítulo nas investigações sobre a rede de contatos e possíveis cumplicidades no caso Epstein, que continua revelando conexões entre o criminoso sexual e figuras proeminentes da sociedade global.