
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (22) que a atuação do delegado Marcelo Ivo de Carvalho na prisão de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos seguiu rigorosamente os protocolos estabelecidos pelo acordo de cooperação policial internacional entre Brasil e EUA. Segundo o chefe da PF, o delegado estava cumprindo sua função como oficial de ligação em Miami, cargo para o qual foi nomeado em março de 2023.
A declaração de Andrei Rodrigues ocorre em meio a um impasse diplomático após o governo americano determinar a saída do delegado brasileiro do país, alegando que ele teria tentado "contornar pedidos formais de extradição" para promover "perseguições políticas" em território americano.
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho foi designado em 2023 como oficial de ligação em Miami, em missão junto ao ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA), com previsão inicial de dois anos. Entre 2023 e 2025, o delegado permaneceu nos Estados Unidos cumprindo sua missão, que incluía a colaboração na identificação e prisão de foragidos da Justiça brasileira em território americano.
Ramagem foi detido em 13 de abril, em Orlando, Flórida, por questões migratórias, sendo levado a um centro de detenção no Condado de Orange. No dia 15 de abril de 2026, o ex-deputado foi liberado da prisão americana às 14h52 no horário local (15h52 em Brasília).
No dia seguinte à sua libertação, Ramagem publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo às autoridades norte-americanas e afirmando: "Eu entrei nos Estados Unidos, em setembro do ano passado, de forma perfeitamente regular, passaporte válido, visto válido, sem condenação nenhuma. Em seguida entramos com o pedido de asilo [...] Nós cumprimos os requisitos, estamos dentro de todos os procedimentos e fases, o que nos confere o status de permanência regular nos Estados Unidos". O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos Estados Unidos informou à PF que Ramagem poderá aguardar em liberdade nos EUA a conclusão de seu processo de pedido de asilo, frustrando tentativas brasileiras de evitar sua soltura.
A tensão escalou em 20 de abril de 2026, quando os Estados Unidos determinaram a saída do delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem. Sem mencionar nomes, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental publicou em rede social que "nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos".
Em resposta, o presidente Lula, durante viagem à Europa, declarou: "Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil". A reciprocidade é um princípio diplomático que permite a um país adotar medidas equivalentes em relação a outro. Como parte dos esforços para esclarecer a situação, a encarregada de Negócios interina da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Kimberly Kelly, foi convocada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) para prestar esclarecimentos sobre o pedido do governo de Donald Trump para a saída do delegado brasileiro.
O encontro, que durou aproximadamente uma hora, contou com a presença de Christiano Figueiroa, atual diretor do Departamento de América do Norte do MRE. Andrei Rodrigues reafirmou que todas as ações do delegado Marcelo Ivo estavam em conformidade com os acordos bilaterais de cooperação policial, e que a PF continuará trabalhando dentro dos parâmetros legais estabelecidos entre os dois países.