“Esperava pelo menos 0,5%”

Foto: Marcelo Camargo/Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua insatisfação com a decisão do Banco Central (BC) de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, quando sua expectativa era de um corte de 0,5 pp. Durante sua participação na Caravana Federativa em São Paulo nesta quinta-feira, 19, o presidente atribuiu a decisão conservadora do BC aos impactos da guerra no Oriente Médio.
“Hoje é um dia que eu poderia estar mais feliz, mas estou triste. Eu esperava que o nosso Banco Central abaixasse os juros em pelo menos 0,5 pp e abaixou apenas 0,25 pp por causa da guerra. Essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível”, declarou o presidente.
Em seu pronunciamento, Lula abordou diversos impactos econômicos relacionados ao conflito:
* Destacou que o governo não permitirá que a crise no setor petrolífero prejudique os brasileiros, seja no preço dos combustíveis ou dos alimentos.
* Criticou aumentos injustificados nos preços, afirmando que “não aumentou apenas o preço do diesel. Aumentou o preço do álcool que não tem nada a ver com a guerra do Irã, aumentou a preço da gasolina que ainda não tinha o porquê aumentar”.
* Revelou que a Polícia Federal recebeu orientações para investigar empresas que estejam praticando aumentos abusivos nos preços dos combustíveis.
O presidente também fez um apelo aos governadores para que considerem a isenção do ICMS como forma de conter os efeitos da guerra, prometendo que “o governo federal se dispõe a devolver para eles metade” do valor.
Sobre o contexto internacional, Lula comentou que o Brasil foi “pego de surpresa com a guerra no Oriente Médio” e, embora não concorde com o regime teocrático do Irã, defendeu o respeito à autodeterminação dos povos. Ele também criticou a postura dos Estados Unidos, que segundo ele se consideram “donos do mundo”.
O presidente ainda relembrou um episódio de 2010, quando um acordo do Brasil com o Irã sobre enriquecimento de urânio foi rejeitado pelos Estados Unidos e União Europeia, observando que “há uns três ou quatro anos, os americanos e os europeus fizeram um acordo pior que o que nós fizemos”.
As declarações foram realizadas durante a Caravana Federativa em São Paulo, evento que reúne prefeitos e vereadores em uma feira de serviços e inovações do governo federal, contando com a participação de mais de 30 ministérios e autarquias.