
Lula e Flávio Bolsonaro
O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguiam empatados na simulação de segundo turno das eleições presidenciais até a divulgação das polêmicas conversas entre o parlamentar e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de acordo com pesquisa Datafolha.
O levantamento foi realizado nos dias 12 e 13 de maio, sendo que a maioria das entrevistas ocorreu antes da revelação, pelo site "Intercept Brasil", dos diálogos entre o filho de Jair Bolsonaro (PL) e o então dono do Banco Master, episódio que ficou conhecido como caso "Dark Horse".
A pesquisa aponta que Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados, com 45% das intenções de voto cada um na simulação de segundo turno. Outros 9% afirmam que votariam em branco ou nulo, e 1% diz não saber.
O Datafolha realizou 2.004 entrevistas com brasileiros de 16 anos ou mais, em 139 municípios de todo o país. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE com o código BR-00290/2026.
O levantamento também indica que Lula abriu vantagem sobre os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Na disputa direta com Zema, o petista aparece com 46% das intenções de voto, frente a 40% do ex-governador de Minas Gerais. Contra Caiado, Lula marca 46%, ante 39% do ex-governador de Goiás. Em ambos os cenários, 13% dos eleitores dizem que votariam em branco e 2% afirmam não saber.
No levantamento anterior, realizado em abril, Lula estava em empate técnico com Flávio Bolsonaro, Zema e Caiado na simulação de segundo turno.
O último mês foi marcado por iniciativas de apelo eleitoral do presidente, como a revogação da "taxa das blusinhas" e a medida provisória para conter o aumento do preço da gasolina. Lula também sofreu um revés histórico com a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), na primeira reprovação de um nome para a corte desde 1894.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, associou a derrota a uma suposta fraqueza do governo e obteve outra vitória política com a derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria, abrindo caminho para a redução de penas de seu pai. A sequência de boas notícias para o senador foi interrompida pelo caso "Dark Horse".
Já Zema centrou suas falas em críticas aos ministros do STF, o que o tornou alvo de acusação da Procuradoria-Geral da República.
Simulação do primeiro turno
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 38% dos votos, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%, Zema e Caiado, com 3% cada, Renan Santos (Missão), com 2%, e Cabo Daciolo (Mobiliza), com 1%. Outros 9% afirmam que votarão em branco ou nulo e 3% dizem não saber.
Em outra hipótese de primeiro turno, com Ciro Gomes (PSDB) na disputa, Lula registra 37%, empatado tecnicamente com Flávio Bolsonaro, que tem 34%. O tucano aparece com 5% das intenções de voto, enquanto Zema tem 4%, e Caiado, Renan Santos e Augusto Cury (Avante) têm 2% cada.
Vale destacar que Ciro Gomes já afirmou não pretender concorrer ao Palácio do Planalto, sendo pré-candidato ao governo do Ceará.
Na pergunta espontânea, quando o instituto não apresenta os nomes dos candidatos, Lula tem larga vantagem, com 27% das menções. Flávio Bolsonaro aparece em seguida, com 18%, seguido pelo inelegível Jair Bolsonaro, com 3%, e Caiado, com 1%. Nesse cenário, 39% afirmam não saber em quem pretendem votar.
Lula e Flávio Bolsonaro lideram a corrida eleitoral com altas taxas de conhecimento e de rejeição. Apenas 1% diz não conhecer o petista, e 5% afirmam não conhecer o filho de Bolsonaro.
Entre os entrevistados, 47% dizem que não votariam no atual presidente de jeito nenhum no primeiro turno, enquanto 43% rejeitam Flávio Bolsonaro. As porcentagens seguem estáveis em relação a abril, quando eram de 48% e 46%, respectivamente.
Zema e Caiado apresentam índices similares: o primeiro tem 15% de rejeição e é desconhecido por 54% dos eleitores, enquanto o ex-governador de Goiás é rejeitado por 13% e desconhecido por 53%.
Recortes da pesquisa Datafolha
O Datafolha utilizou uma escala de 1 a 5 para identificar o posicionamento político dos entrevistados, em que 1 representa o eleitor bolsonarista e 5, o petista. O eleitor que se identifica com o número 3 não está alinhado a nenhum dos polos.
Num cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, 38% desses eleitores independentes afirmam que votariam no senador, e 32%, no presidente — situação de empate técnico, considerando a margem de erro de cinco pontos percentuais para esse grupo. Outros 27% dizem que votariam em branco ou nulo.
Os números indicam tendência de queda para o petista entre esses eleitores, que, segundo analistas, devem ser decisivos em meio a uma eleição acirrada e polarizada. Em abril, Lula tinha 42% das intenções de voto entre os entrevistados desassociados do bolsonarismo e do petismo, e Flávio Bolsonaro, 36%. Outros 19% diziam que votariam nulo ou em branco.
No levantamento desta semana, o perfil do eleitorado se mantém similar ao encontrado nas pesquisas anteriores.
Em um segundo turno com Lula, Flávio Bolsonaro tem seu melhor desempenho entre os homens (50%), eleitores de 25 a 34 anos (50%), entre os que têm ensino superior (51%), entre os que ganham mais de dez salários mínimos (58%), entre os empresários (71%), entre os evangélicos (61%) e entre os moradores da região Sul (59%).
No mesmo embate, Lula vai melhor entre as mulheres (48%), entre os eleitores com 60 anos ou mais (52%), entre os que completaram o ensino fundamental (57%), entre os que ganham até dois salários mínimos (52%), entre os estudantes (64%), entre os que moram na região Nordeste (60%), entre os pretos (59%) e entre os católicos (54%).
Os resultados de uma pesquisa eleitoral não são prognósticos, ou seja, não pretendem antecipar o que sairá das urnas. Eles formam um retrato da opinião dos entrevistados no momento em que os pesquisadores foram a campo.
As entrevistas são feitas presencialmente, em pontos de fluxo nas ruas, e seguem critérios estatísticos para que a amostra represente o conjunto da população.