Flagra ocorreu no Parque Estadual do Rio Doce

Foto: Primatas Perdidos/Reprodução
Um registro histórico e inédito foi realizado no Parque Estadual do Rio Doce, em Minas Gerais: a descoberta do primeiro sauá (Callicebus nigrifrons) albino já documentado. O flagrante, feito por meio de um drone durante trabalho de monitoramento de primatas, representa um marco significativo para a ciência.
A descoberta ocorreu durante um monitoramento populacional do muriqui-do-norte, quando a equipe do projeto “Primatas PERDidos” utilizava equipamentos com tecnologia avançada para observação da fauna local.
* A detecção inicial foi feita através de uma câmera termal acoplada ao drone, que identificou um ponto claro incomum na área florestal
* Ao aproximarem o equipamento, os pesquisadores confirmaram através da câmera colorida a presença de um sauá completamente branco
* O registro é considerado o primeiro caso confirmado dessa mutação genética para a espécie, que pertence a uma família com 63 espécies diferentes
“Foi um registro inesperado e inédito, não havia até então nenhuma documentação desse caso para a família à qual o sauá pertence e é composta por 63 espécies”, relatou Vanessa Guimarães, bióloga fundadora do projeto “Primatas PERDidos”.
O albinismo identificado no sauá apresenta características específicas que o distinguem de outras mutações genéticas, como o leucismo. A bióloga explica que a classificação como albinismo baseou-se na ausência generalizada de pigmentação corporal, incluindo palmas das mãos e pés, além da coloração avermelhada dos olhos.
A descoberta levanta questões importantes sobre a sobrevivência desses animais na natureza, já que indivíduos albinos enfrentam diversos desafios, como maior suscetibilidade a doenças de pele, danos causados pela radiação solar e maior visibilidade aos predadores.
O registro foi realizado em novembro de 2023 e recentemente publicado na revista científica Primates. Desde então, o animal não foi mais avistado, o que reforça a raridade do acontecimento.
A equipe do projeto “Primatas PERDidos” busca continuar o trabalho de monitoramento, embora enfrente desafios financeiros após o término do último suporte em dezembro. A continuidade dessas pesquisas é fundamental para a conservação não apenas do sauá, mas também de outras espécies ameaçadas de extinção na região.
O sauá é uma espécie endêmica do Brasil, encontrada principalmente na região Sudeste, em áreas de Mata Atlântica e transição com Cerrado. Classificada como “Quase ameaçada”, a espécie enfrenta declínio populacional devido ao isolamento de populações, pressão antrópica e fragmentação do habitat.