
PCMG apreendeu 120 carrinhos de supermercado durante operações - Foto: PCMG/Divulgação
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apreendeu 120 carrinhos de supermercado durante operações realizadas entre quarta-feira (6/5) e sexta-feira (8/5) em Belo Horizonte.
Os equipamentos foram encontrados principalmente na área central da capital e são alvo de investigações que apuram furtos recorrentes em estabelecimentos da Região Metropolitana.
Parte dos carrinhos já começou a ser devolvida aos proprietários na segunda-feira (11/5).
"Na data de hoje já foram restituídos 18 carrinhos a um desses supermercados vítimas, e os outros carrinhos e os outros supermercados passam agora por um processo de identificação e contato, para que eles possam buscar os equipamentos", afirmou o delegado-geral de Polícia e chefe do 1º Departamento, Rômulo Dias.
As operações foram conduzidas pela 4ª Delegacia Centro e pela 4ª Delegacia Noroeste após a Associação Mineira de Supermercados (Amis) apresentar uma notícia-crime à PCMG relatando furtos reiterados. A partir disso, foram instaurados inquéritos para identificar os responsáveis, entender a destinação dos materiais e apurar possíveis crimes de furto, receptação e outras infrações.
Nenhuma pessoa foi presa durante as ações porque os abordados não assumiram a propriedade ou o furto dos carrinhos. "Não houve ali alguém que se identificou como possuidor", afirmou Rômulo Dias.
O delegado acrescentou que os itens encontrados nos equipamentos foram retirados antes da apreensão. "Nenhum objeto pessoal que estava, porventura, com a pessoa ali perto foi apreendido. O foco da operação é tão somente criminal e foi tão somente relativo aos carrinhos de supermercados reclamados perante a PCMG", disse.
Relação de carrinhos recolhidos por marca
Entre os carrinhos recolhidos, a maior parte não pôde ser identificada ou estava com a marca raspada, segundo a PCMG. Também foram encontrados equipamentos de redes como EPA, Supermercados BH, Carrefour, SuperNosso, Abastecer, Verdemar e Assaí.
Veja a distribuição:
- Não identificados: 56
- Não identificados com marca raspada: 10
- EPA: 25
- Super BH/BH: 9
- Carrefour: 9
- Abastecer: 6
- Super Nosso: 6
- Villeforte: 1
- ABC: 1
- Rodcar: 1
- Meu Prata: 1
- Verdemar: 1
- 1001 Festas: 1
- Supermercado Paranaíba: 1
- Assaí: 1
Prejuízo milionário
Os furtos causam perdas expressivas às redes supermercadistas, conforme destacou o delegado José Eduardo Santos, da 4ª Delegacia Centro. "A Associação Mineira de Supermercados nos trouxe dados de que o prejuízo é vultoso. Cada carrinho desse custa, em média, de 500 a 1.000 reais, dependendo do modelo e do tamanho", afirmou.
Segundo ele, uma das vítimas, uma rede estadual, teve apenas em 2025 cerca de 8.500 carrinhos furtados. "O prejuízo acumulado nesse ano foi de aproximadamente R$ 3,5 milhões. Estamos falando de uma única vítima", apontou.
"Esse prejuízo, logicamente, acaba sendo repassado para o consumidor final. Então, é um crime que atinge toda a sociedade", complementou José Eduardo.
As investigações também apuram informações de que parte dos carrinhos estaria sendo vendida a ferros-velhos, o que pode configurar receptação qualificada. "Nós temos informações de que alguns desses carrinhos são repassados para ferros-velhos. E, logicamente, esses locais serão alvo de fiscalização e de investigação pela Polícia Civil", afirmou o delegado.
Nova lei endurece punições
Rômulo Dias destacou ainda que a Lei 15.397, sancionada em 30 de abril deste ano, aumentou de quatro para seis anos a pena máxima para crimes de furto e receptação. A mudança impede que delegados arbitrem fiança em casos de flagrante. "Caso ocorra o furto do carrinho ou a receptação deste, a pessoa que estiver em flagrante desse crime será conduzida à delegacia de polícia e não mais poderá ser arbitrada fiança", afirmou.
A PCMG segue com as investigações para identificar os responsáveis pelos furtos e apurar toda a cadeia envolvida na destinação dos equipamentos. A reportagem procurou a Amis para comentar sobre a operação e aguarda retorno.