O STF (Supremo Tribunal Federal) inicia nesta quarta-feira (4) o primeiro julgamento do ano, que analisará a validade de regras estabelecidas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) sobre o uso de redes sociais por magistrados. O caso é considerado pelo presidente da corte, Edson Fachin, um importante indicador sobre como os ministros receberão a proposta de criação de um código de conduta.
A resolução do CNJ estabelece diretrizes específicas para a magistratura no ambiente digital, incluindo limitações sobre manifestações político-partidárias e proibição de disseminação de desinformação. O texto também orienta os magistrados a “evitar compartilhar informações que possam prejudicar o conceito da sociedade em relação à independência, à imparcialidade, à integridade e à idoneidade do magistrado”.
* A ação foi apresentada pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) no final de 2019 e está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes
* O julgamento teve início em plenário virtual em 2022, mas foi interrompido após pedido do ministro Kassio Nunes Marques para debate presencial
* Ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Edson Fachin e Rosa Weber já haviam votado favoravelmente à resolução no formato virtual
A iniciativa de Fachin em priorizar este julgamento está alinhada com seus esforços para implementar um código de conduta para ministros dos tribunais superiores. A ministra Cármen Lúcia foi designada como relatora da proposta, que deve ser votada em sessão administrativa após as eleições de outubro.
O caso ganha especial relevância no contexto atual do STF, onde alguns ministros demonstram preocupação com o momento escolhido para a discussão do código de ética. Há receios de que a iniciativa possa expor a corte a novos ataques e estimular pautas no Congresso Nacional que possam enfraquecer o tribunal.
Para os defensores do código de ética, o julgamento sobre o uso de redes sociais representa uma oportunidade de estabelecer parâmetros que possam contribuir para a recomposição da imagem da corte. A discussão também se insere em um contexto mais amplo de busca pela recuperação da confiança pública no Poder Judiciário.