
presidente da Petrobras, Magda Chambriard
A Petrobras sinalizou, na terça-feira (12), um aumento iminente no preço da gasolina produzida em suas refinarias. A presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou que a alta deve acontecer "já já", mas que a estatal tenta preservar o mercado para o combustível diante da queda nos valores do etanol hidratado, que concorre diretamente com a gasolina. A declaração foi feita durante teleconferência com investidores para apresentação dos resultados da empresa. Anteriormente, a presidente já havia indicado que a aprovação do PLP (Projeto de Lei Complementar) 114/2026 — que trata do uso de receitas do petróleo para zerar tributos da gasolina — abriria espaço para que o reajuste ocorresse sem pesar para as distribuidoras. A tramitação do projeto, esperada para esta semana, foi adiada para a próxima, conforme fontes informaram à Agência iNFRA.
Na mesma terça-feira, a diretora executiva de Transição Energética e diretora interina de Logística da Petrobras, Angélica Laureano, esclareceu que a política de comercialização da estatal "está dissociada" do projeto e trata da "análise de preços internos, de importados, volume de produção interna", entre outros fatores. "Hoje, estamos equilibrados nisso. Se avaliarmos que estamos persistentemente com o preço que não atende à nossa expectativa, a gente vai aumentar, e talvez o PLP venha para ajudar a não repassar isso para o mercado", disse à imprensa.
Enquanto a Petrobras é pressionada pela defasagem entre os preços praticados pela estatal e os valores internacionais, o governo busca formas de evitar o repasse integral para a população. O projeto é a aposta inicial para diluir parte do impacto ao consumidor. Na segunda-feira (11), Magda se reuniu com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em Brasília. Após o encontro, questionado sobre a ausência de reajustes da Petrobras, Durigan disse ter percebido que "há uma necessidade da Petrobras de ir reavaliando esses preços". O ministro enfatizou que, além de a Petrobras cumprir sua política de preços, o governo precisa adotar medidas adicionais para evitar a alta aos consumidores.
Dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) divulgados na terça-feira (12) apontam para uma defasagem média de 81% no preço da gasolina nos polos da Petrobras, na comparação entre preços internos e internacionais. Segundo a associação, isso significa que os preços estão R$ 2,03 por litro abaixo do PPI (Preço de Paridade de Importação).
Durigan disse a jornalistas que informou à Magda sobre a tramitação do projeto e a expectativa do governo de aprovar o texto no plenário da Câmara ainda nesta semana. No entanto, o PLP aguarda avanço enquanto a relatora, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), está em evento nos Estados Unidos. Segundo fontes, as negociações em torno do texto devem ocorrer somente na próxima semana. Interlocutores do governo indicam que a relatora teria desistido de alterações voltadas ao agronegócio, mas manteria o diferencial competitivo para os biocombustíveis, com apoio da ala econômica do Planalto.
Marussa, que integra a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), havia declarado à imprensa na semana passada que pretendia alterar o texto do projeto para incluir temas relevantes à bancada. Além de um instrumento para garantir vantagem competitiva aos biocombustíveis — etanol e biodiesel —, a relatora pretendia acrescentar uma previsão para que parte da arrecadação com o petróleo fosse destinada à quitação de dívidas do agronegócio, com montante fixado em no mínimo R$ 20 bilhões. O governo, porém, se posicionou contra essas alterações.
O ministro da Fazenda afirmou à imprensa que "não é momento de ampliar o escopo" do projeto, ressaltando que o texto é urgente e deve ser aprovado o mais rápido possível, "sem prejuízo de outras discussões que podem seguir em paralelo". O cenário atual coloca a Petrobras diante de uma decisão que pode ocorrer independentemente da aprovação do PLP, enquanto o governo tenta articular uma solução legislativa para minimizar o impacto do reajuste sobre os consumidores brasileiros.