
O setor de serviços em Minas Gerais registrou recuo acumulado de 1,6% no primeiro trimestre de 2024, conforme aponta a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. A queda foi verificada em todos os meses do período, com destaque para o grupo de serviços profissionais e administrativos, que apresentou retração de 6,3%. Em março, o recuo no Estado foi de 0,7%.
Economistas apontam que o cenário de incertezas internacionais, combinado com juros reais próximos de 10% ao ano no Brasil, tem restringido o dinamismo do setor. O ambiente macroeconômico desfavorável segue como um dos principais fatores que explicam o desempenho negativo das atividades de serviços em Minas Gerais ao longo dos primeiros meses do ano.
Outro tema que envolve o cenário econômico de Minas Gerais é a situação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). O prazo para a divulgação das demonstrações financeiras dessas entidades encerrou-se em 30 de abril, mas apenas cinco das 15 equipes mineiras que adotam o modelo publicaram seus balanços nos sites oficiais dentro do período legal, o que representa apenas um terço do total.
Especialistas destacam que a falta de divulgação é um comportamento comum no futebol brasileiro, reflexo de uma cultura histórica de baixa transparência. No entanto, o cenário vem melhorando de forma gradual, impulsionado pela Lei da SAF e por critérios mais rígidos adotados pela Confederação Brasileira de Futebol.
No ambiente empresarial, o alto custo de capital tem levado grandes empresas a reverem seus portfólios. Após um período de expansão durante a fase de juros mais baixos, a tendência para 2026 é que as companhias busquem o retorno ao core business, ou seja, ao foco em suas atividades principais, como forma de navegar com mais segurança em um cenário macroeconômico incerto.
Especialistas explicam que o atual patamar elevado do custo de capital faz com que as empresas optem por desinvestir em setores como agronegócio, mineração, construção civil e infraestrutura. A chamada "tríade de risco" tem sido determinante nas decisões de venda de ativos corporativos em Minas Gerais e no restante do país. O conjunto de fatores — queda no setor de serviços, baixa transparência das SAFs e movimento de desinvestimento empresarial — reforça o quadro de cautela que marca a economia de Minas Gerais no início de 2024, em meio a um ambiente de juros elevados e incertezas globais.