
Foto: José Cruz/Agência Brasil
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou recuo de 0,7% na economia brasileira em março, em comparação com o mês anterior. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) na última segunda-feira (18/5). Todos os setores apresentaram queda, sendo o de serviços o de maior retração, com 0,8%. Em fevereiro, na comparação com janeiro, o indicador havia avançado 0,6%, e no trimestre acumulou alta de 1,3%. Para chegar ao resultado, o Banco Central realizou um ajuste sazonal, cálculo que remove as flutuações sazonais de uma série temporal para permitir a comparação entre períodos distintos.
Conhecido como a "prévia do PIB", o IBC-Br incorpora estimativas de crescimento para os setores agropecuário, industrial e de serviços. O indicador é uma das ferramentas utilizadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros do país, a Selic. O PIB, por sua vez, representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país: uma alta indica que a economia cresce em bom ritmo, enquanto um recuo aponta para o encolhimento da produção econômica nacional.
No mês de março, o desempenho por setores produtivos foi o seguinte:
- Serviços: pior resultado, com recuo de 0,8%
- Agropecuária: queda de 0,2%
- Indústria: retração de 0,2%
Na comparação com março do ano passado, o IBC-Br apresentou elevação de 3,1%. Em 12 meses, o indicador do BC registrou aumento de 1,8%, e no ano acumulou expansão de 1,4%. Todas essas variações foram calculadas sem ajustes sazonais.
Economistas alertam para a desaceleração da economia brasileira neste ano, em razão dos juros elevados e do atual patamar da inflação, fatores que seguem preocupando a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2025, a economia avançou 2,3%. O governo federal espera repetir esse desempenho, mas o Banco Central, bancos e outras instituições financeiras trabalham com projeções mais modestas, que partem de 1,6%.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou a volta do Brasil ao posto de 10ª maior economia global neste ano. A informação consta no relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado em 14 de abril. O documento traz como novidade um aumento na projeção de crescimento do PIB brasileiro para 1,9%, valor 0,3 ponto percentual superior à estimativa anunciada em janeiro.
O FMI considera que o país será favorecido pelo contexto da guerra no Oriente Médio por ser um exportador de petróleo. "Espera-se que a guerra tenha um pequeno efeito líquido positivo em 2026, devido ao fato de o país ser um exportador líquido de energia, impulsionando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual", diz trecho do documento. O recuo registrado pelo IBC-Br em março reforça o cenário de cautela projetado por analistas para a economia brasileira ao longo de 2025, com o desempenho dos setores produtivos sendo monitorado de perto pelo Banco Central.