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A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), descartou nesta terça-feira (19/5) qualquer possibilidade de disputar o governo de Minas Gerais em 2026. A declaração foi feita poucas horas após o presidente nacional do PT, Edinho Silva, informar que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) decidiu não concorrer ao Palácio Tiradentes. "Não existe essa possibilidade. Eu deixei isso claro publicamente para o partido e para o Lula. Minha renúncia [à Prefeitura de Contagem] só aconteceu após decisão do GTE [Grupo de Trabalho Eleitoral] estadual e nacional", declarou Marília Campos ao ser questionada sobre uma eventual candidatura ao Executivo mineiro.
Nos bastidores do PT, o nome da ex-prefeita chegou a ser cogitado como alternativa para a disputa ao governo estadual. Em fevereiro, porém, a direção nacional do partido oficializou sua pré-candidatura ao Senado. Antes disso, em junho, a instância estadual da legenda já havia aprovado seu nome para a corrida à Casa Alta. Apesar de a possibilidade de Marília Campos disputar o governo ter perdido força após a definição de sua candidatura ao Senado, interlocutores do partido afirmam que o cenário voltou a ser discutido recentemente.
O nome da ex-prefeita teria voltado ao radar petista antes mesmo de Pacheco ter declarado a Edinho Silva, na última terça-feira (12/5), que não possui a intenção de disputar o governo de Minas. De acordo com uma fonte, sob reservas, o núcleo duro de campanha de Marília Campos "entrou em desespero" quando o Senado não aprovou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O motivo do abalo nas instâncias de decisão da campanha se deve ao fato de Pacheco já ter sido cotado como indicação de Lula ao STF. Com a saída de Messias da jogada, parte da sigla temia que o nome do senador voltasse a ser opção para ocupar a Corte, fazendo-o desistir da disputa pelo governo. Quatro dias após a negativa do Senado a Messias, Marília Campos fez uma postagem em suas redes sociais em apelo à candidatura de Pacheco ao governo de Minas. "E eu tenho respondido que Rodrigo Pacheco precisa vir como pré-candidato ao governo de Minas Gerais. Porque Minas Gerais precisa ser reconstruída. E nós precisamos de pessoas, de líderes, com a experiência, com o compromisso, com a capacidade de diálogo, de articulação que o Rodrigo tem (...)", afirmou a ex-prefeita na publicação.
Desde que Pacheco sinalizou que não deseja disputar o Palácio Tiradentes, o entorno do senador e petistas aguardam uma nova reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia é que, nesse encontro, novos cenários sejam "oferecidos" ao senador para que ele se torne pré-candidato ao Executivo estadual. Interlocutores próximos ao ex-presidente do Congresso destacaram, porém, que a reunião não deve acontecer até um possível diálogo entre Lula e o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na próxima quarta-feira (20/5).
Isso porque Alcolumbre é aliado de Pacheco e, desde a negativa dada pelo Senado a Jorge Messias — indicado por Lula para o STF —, a relação entre ele e o presidente anda estremecida. De acordo com o entorno de Pacheco, sua possível candidatura ao governo fica ainda mais difícil se esse vínculo não for reestabelecido. Nesta terça-feira (19/5), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, anunciou que Rodrigo Pacheco não será candidato ao governo de Minas Gerais. "Em Minas Gerais, nós estávamos trabalhando com a candidatura de Rodrigo Pacheco, mas, infelizmente, ele optou por não ser candidato", disse o ex-deputado federal.
A presidente estadual do PT, a deputada Leninha, afirmou que Pacheco ainda não comunicou oficialmente à sigla se será ou não pré-candidato ao Executivo. Em nota, a dirigente declarou: "Independente da decisão do senador, seguimos nosso diálogo com os partidos do campo democrático para construirmos uma candidatura forte, voltada para atender as demandas do povo mineiro. Para além da definição da candidatura ao governo, seguimos na construção de um palanque forte para o presidente Lula em Minas. Estamos mobilizando nossas bases em todo o estado, dialogando com movimentos sociais, sindicais, estudantis, lideranças populares, pastorais, entre outros, para fortalecer nossa base política e social.
Inclusive, estamos organizando um grande encontro em Belo Horizonte para reunir essas forças e aprofundar o debate sobre o futuro que queremos para Minas e o Brasil." A dirigente acrescentou ainda que "todas as possibilidades estão sendo debatidas com responsabilidade e nossas decisões serão conjuntas, seja na definição por uma candidatura própria ao governo do estado ou apoio a outro nome do campo democrático. Estamos avançando e temos a certeza de que teremos um palanque forte em Minas." Com o recuo de Pacheco e a posição firme de Marília Campos em relação ao Senado, o PT segue sem um nome definido para a disputa ao governo de Minas Gerais em 2026.