
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - © Frame Canal GOV
Em seu último ano de mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrou uma série de anúncios de programas e investimentos que somam cerca de R$ 113 bilhões, às vésperas das eleições de 2026. As iniciativas abrangem desde obras de infraestrutura e habitação até subsídios para combustíveis e financiamento para motoristas de aplicativos, beneficiando tanto a população em geral quanto o setor empresarial.
O Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) figura entre os principais destaques do pacote. O Orçamento de 2026 prevê cerca de R$ 52,9 bilhões para o programa, um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior. Além das tradicionais obras de infraestrutura e saneamento, o programa passou a incorporar investimentos na área da Saúde, por meio do chamado PAC Saúde. O Minha Casa, Minha Vida também integra esse montante.
O governo Lula anunciou ainda uma nova rodada de financiamento para a renovação de frotas de caminhões e ônibus, dentro do programa Move Brasil, lançado no final de 2025. Do total de R$ 21,2 bilhões previstos, R$ 14 bilhões são provenientes do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A iniciativa amplia a oferta de crédito no país para o setor de transporte. Nesta terça-feira (19/5), Lula lança também o Move Aplicativos, programa de R$ 30 bilhões em financiamento subsidiado destinado a motoristas de aplicativos, como os do Uber, e taxistas, para a troca de veículos.
Para conter o avanço no preço dos combustíveis em meio ao conflito no Oriente Médio, o governo anunciou subvenção para a gasolina e para o óleo diesel, com custo estimado em mais de R$ 10 bilhões para os cofres públicos. A ampliação do Gás do Povo conta com R$ 4,7 bilhões previstos no Orçamento para 2026. Em vigor desde setembro de 2025, a política garante a gratuidade na recarga do botijão de GLP (13 kg) em revendas credenciadas para mais de 15 milhões de famílias. Na área da segurança pública, Lula lançou, na última semana, o programa Brasil contra o Crime Organizado, com previsão de R$ 960 milhões em ações.
Ao longo do primeiro ano da atual gestão, Lula concentrou esforços na reconstrução de programas sociais e na agenda econômica. O grande debate do período girou em torno do arcabouço fiscal, com o objetivo de zerar o déficit das contas públicas. Nesse mesmo período, o presidente buscou retomar seu protagonismo no cenário internacional: em 2023 foram 15 viagens e 23 países visitados, totalizando 62 dias fora do Brasil.
Mesmo assim, ao final de dois anos de mandato, as pesquisas ainda registravam queda de popularidade. Os programas sociais passaram a ser percebidos como direitos consolidados, e não mais como benefícios que exigem ações do governo, o que reduziu o potencial de ganho eleitoral para Lula. Diante desse cenário, o petista adotou como prioridade reconquistar a classe média, composta por quem recebe acima de dois salários mínimos por mês.
Para isso, foram lançados o Minha Casa, Minha Vida da classe média, o crédito consignado para trabalhadores CLT e linhas de crédito para reforma de imóveis. Além disso, foi ampliada a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. O próprio presidente afirmou, em reunião ministerial, que 2025 era o "ano das entregas". Em poucos meses, o governo anunciou o Desenrola 2.0 para renegociação de dívidas, crédito para a indústria e para o financiamento de máquinas agrícolas e caminhões, além de subsídios e isenções para conter o aumento no preço dos combustíveis. O "pacote de bondades" incluiu também o fim da "taxa das blusinhas", imposto federal sobre compras internacionais.