
Lula se reuniu com presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devem se reunir nesta quinta-feira (7/5) em Washington. O encontro, articulado pelo Itamaraty desde o início do ano, ocorre em um momento marcado por tensões comerciais, geopolíticas e eleitorais entre os dois países. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou a relevância estratégica do encontro para o Brasil. "Esse encontro é muito importante, porque os Estados Unidos é o terceiro parceiro comercial do Brasil, primeiro comprador é a China, segundo é a União Europeia, terceiro é os Estados Unidos, mas é o primeiro investidor no Brasil, muito importante e compra produtos de valor agregado, manufatura, avião, automóvel, motores, máquinas", afirmou Alckmin à imprensa.
O vice-presidente também expressou otimismo quanto ao relacionamento entre os dois líderes. "E eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício de dois grandes países, duas grandes democracias do Ocidente, que é o Brasil e Estados Unidos", complementou. Se confirmado, será o primeiro encontro presencial entre Lula e Trump desde outubro de 2025, quando os dois se reuniram na Malásia durante um fórum internacional. Naquela ocasião, o diálogo de quase uma hora foi classificado como "muito positivo" pela chancelaria brasileira. O contexto atual, porém, é mais delicado. Apesar de uma redução recente nas tensões comerciais após o tarifaço imposto pelos EUA, persistem incertezas e diferenças políticas e ideológicas entre os dois presidentes.
No cenário internacional, a escalada de tensões entre Washington e Teerã tende a influenciar a conversa, já que o governo Trump realiza ataques militares ao Irã desde fevereiro. No plano doméstico, a reunião acontece a cinco meses das eleições brasileiras de outubro. Trump mantém alinhamento com o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto aliados de Lula buscam preservar canais institucionais apesar das divergências políticas entre os dois campos. A agenda bilateral também carrega o peso de um episódio recente envolvendo a Polícia Federal e o ex-deputado Alexandre Ramagem.
O governo brasileiro retirou as credenciais de trabalho de um servidor norte-americano com base no princípio da reciprocidade, após um delegado brasileiro ter sido orientado a deixar os Estados Unidos pelas autoridades americanas. Com esse pano de fundo, o encontro entre Lula e Trump é visto como um teste para as relações bilaterais sob pressões simultâneas. A expectativa é que a reunião contribua para ajustar o tom do diálogo entre Brasília e Washington nos próximos meses.