
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu publicamente a exploração de petróleo na margem equatorial do Amapá, região localizada a cerca de 500 quilômetros da foz do rio Amazonas. A declaração foi feita durante um evento realizado na tarde desta segunda-feira (18), na Refinaria de Paulínia (Replan), no interior de São Paulo. "Vamos no Amapá, tirar o nosso pré-sal da Margem Equatorial", disse Lula ao se dirigir diretamente à presidente da Petrobras, Magda Chambriard, presente no evento.
Desde que o governo Lula demonstrou interesse em explorar o potencial da Margem Equatorial, ambientalistas têm manifestado preocupação com os riscos de eventuais vazamentos que poderiam impactar a bacia do Rio Amazonas.
Em resposta às contestações, Lula rebateu as críticas: "Quando alguém fala que não pode mexer porque a Amazônia... Ninguém tem mais cuidado com a Amazônia que nós. Ninguém tem mais cuidado!".
A exploração na região também não é consenso dentro da própria base do governo. Marina Silva, um dos nomes indicados por Lula para concorrer ao Senado por São Paulo, defendeu, quando ocupava o Ministério do Meio Ambiente, que a autorização para a exploração de petróleo na área não deveria ser uma decisão política, mas sim técnica, a ser tomada pelo Ibama.
Ao justificar sua posição, Lula reforçou: "A gente vai fazer com a maior responsabilidade do mundo, mas a gente não pode deixar uma riqueza que está há quase 500 km de distância da nossa margem". Na sequência, o presidente voltou a criticar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com ironia: "Daqui a pouco o Trump vem e acha que é dele. Ele achou que o Canadá era ele, que a Groenlândia era dele, que o Golfo do México era dele, que o canal do Panamá era dele. Ele não vai dizer que a Margem Equatorial é dele também?". Lula ainda acrescentou: "Nós vamos ocupar. Explorar petróleo com a maior responsabilidade e fazer com que esse dinheiro seja revertido para garantir o futuro desse país".
As declarações foram feitas durante o anúncio de um investimento da Petrobras de R$ 37 bilhões no estado de São Paulo até 2030, que, segundo o governo federal, deverá gerar 38 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Na ocasião, Lula estava acompanhado da presidente da estatal, Magda Chambriard, e de outros integrantes do primeiro escalão do governo federal.