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A Jovem Pan foi vítima de um sofisticado golpe telefônico e perdeu cerca de R$ 175 mil em menos de 40 minutos. Um criminoso se passou por gerente do Bradesco, entrou em contato com a emissora e convenceu um funcionário a instalar um suposto "chat empresarial" que, segundo ele, tornaria a comunicação com o banco mais rápida e eficiente. O golpista encaminhou um link fraudulento com aparência institucional e orientou o funcionário da Jovem Pan a seguir, passo a passo, a suposta instalação do sistema.
Durante o processo, solicitou as credenciais da emissora, incluindo usuário, senha e tokens de acesso. Com acesso à conta bancária da emissora, o criminoso realizou 18 transferências via Pix em cerca de 40 minutos, desviando R$ 175,3 mil antes que a Jovem Pan percebesse a fraude. O caso ocorreu em 29 de setembro do ano passado. Após o episódio, a Jovem Pan processou o Bradesco, argumentando que o sistema de segurança do banco falhou ao não bloquear transferências reiteradas e incompatíveis com o padrão habitual de gastos da emissora. "Não se está diante de operação isolada ou pontual, mas de uma sucessão concentrada de movimentações que, por si só, já impunha resposta preventiva imediata por parte da instituição financeira", afirmou a Pan à Justiça.
A emissora destacou ainda que diversas transferências de valores semelhantes foram realizadas em sequência, sendo que algumas delas foram direcionadas às mesmas contas bancárias. "Ainda assim, não houve bloqueio cautelar, validação reforçada, alerta efetivo ou qualquer mecanismo de contenção proporcional ao risco que se apresentava de forma ostensiva", argumentou.
A Justiça, no entanto, rejeitou o pedido de restituição dos valores, absolvendo o banco de responsabilidade. A juíza Rossana Luiza de Faria, da 9ª Vara Cível de Osasco, foi direta em sua sentença: "A fraude teve origem integralmente fora do ambiente digital e físico controlado pelo banco". A magistrada ressaltou que foram os próprios representantes da Jovem Pan que, voluntariamente, clicaram no link enviado por um terceiro desconhecido, seguiram as instruções do estelionatário e forneceram, de forma sequenciada, todas as credenciais de acesso à plataforma bancária empresarial.
A juíza citou ainda que o sistema de segurança do banco chegou a acionar a emissora para questionar a regularidade das transações, e seus representantes confirmaram as operações. "Diante desse quadro, é inviável imputar ao banco defeito na prestação do serviço", concluiu, acrescentando que o padrão habitual de gastos da Jovem Pan tornava os desvios difíceis de identificar automaticamente. Na defesa apresentada à Justiça, o Bradesco classificou o processo como uma tentativa de transferir ao banco a responsabilidade por fraudes decorrentes de negligência da própria emissora. "Apesar dos constantes esforços do Bradesco para divulgar alertas contra fraudes/golpes e aumentar a segurança de seus clientes, estelionatários recorrem a sofisticadas estratégias e aproveitam-se de instantes de desatenção das vítimas para aplicar diversos golpes financeiros", afirmou o banco em sua defesa.
O Bradesco reforçou que não houve falha em seu sistema de segurança e que a fraude só foi possível porque a emissora forneceu as credenciais ao criminoso e ainda confirmou as operações quando contactada pelo sistema de segurança do banco via WhatsApp. A Jovem Pan ainda pode recorrer da decisão.