
banco BRB
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, deixou claro, na noite desta segunda-feira (4/5), que o governo federal não pretende socorrer o Banco Regional de Brasília (BRB) diante da crise financeira que enfrenta a instituição. Para Durigan, a responsabilidade pelo problema é exclusivamente do Governo do Distrito Federal (GDF). Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro foi direto ao afirmar que "esse debate não pode ser empurrado para o governo federal como se tem pretendido fazer pelo GDF, porque é um problema do GDF".
A declaração reforça a posição do Ministério da Fazenda de não assumir o passivo gerado pelo BRB com recursos do Tesouro Nacional. Durigan deixou aberta apenas uma exceção para eventual intervenção federal: o risco sistêmico. "A única hipótese que eu cogitaria olhar para o BRB é de risco sistêmico", frisou o ministro, acrescentando que dinheiro público não pode ser utilizado para cobrir um rombo cujas causas ainda não estão devidamente esclarecidas. "Eu não posso pegar dinheiro público para cobrir um caso que, no mínimo, está mal explicado", destacou.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), tem buscado junto ao Tesouro Nacional um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para cobrir o déficit do BRB, oferecendo bens do GDF como garantia. O ofício com o pedido formal foi encaminhado ao Ministério da Fazenda na semana passada.
No documento enviado ao ministério, Celina Leão e o secretário de Economia do DF, Valdivino Oliveira, argumentam que a "necessidade de capitalização decorre de eventos adversos relevantes que impactaram a liquidez, a previsibilidade dos fluxos financeiros e a qualidade dos ativos da instituição". O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, sinalizou na semana passada que deverá solicitar mais informações ao GDF antes de qualquer análise sobre o pedido.
O próprio Durigan confirmou que a solicitação ainda não veio acompanhada dos dados necessários: "Não veio nenhum tipo de informação que possibilite que a gente faça a análise, mas, se der entrada da forma correta, será analisado como todos os pedidos que recebemos", afirmou durante coletiva sobre o relatório do Tesouro. A postura do governo federal indica que, ao menos por ora, o BRB terá de buscar soluções dentro do próprio GDF, sem contar com um socorro direto da União para equacionar sua situação financeira.