
Ibovespa | Foto: Ibovespa/Reprodução
O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira, 11, pressionado pelo impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, que eleva o preço do petróleo e aumenta as expectativas de inflação. Após abrir estável em 184.102,86 pontos e testar alta com máxima aos 184.530,15 pontos (+0,23%), o índice foi para o campo negativo, refletindo o clima de cautela no exterior.
Em Nova York, as bolsas operam próximas da estabilidade, com leve viés de alta, diante da ausência de um acordo de paz entre Washington e Teerã e da falta de notícias sobre a reabertura do Estreito de Ormuz — rota marítima por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial.
A commodity sobe em torno de 2%, com o Brent acima dos US$ 103 por barril. Ainda assim, a valorização não foi suficiente para animar as ações da Petrobras, que divulga seu balanço do primeiro trimestre após o fechamento da B3.
"Enquanto não houver uma solução do conflito, fica essa sensação de uma briga eterna entre os Estados Unidos e o Irã, que contamina o petróleo e consequentemente a inflação. Isso tem deixado a Bolsa meio largada, com o estrangeiro — que deu força ao Ibovespa — saindo", afirma Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Warren Rena DTVM.
O cenário externo cauteloso se insere em uma semana marcada por divulgações e eventos relevantes, como dados de inflação nos EUA e a viagem do presidente norte-americano, Donald Trump, à China nos próximos dias.
Na visita, espera-se que Trump aborde com o presidente chinês, Xi Jinping, o conflito com o Irã, além de temas como tarifas e controles de exportação de terras raras.
No domingo, Trump rejeitou a resposta iraniana a uma proposta de paz dos EUA como "totalmente inaceitável", recusando as condições do Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio. O desdobramento elevou as chances de um recrudescimento nos combates na região, após semanas de negociações.
"Será que voltamos à estaca zero?", questiona Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil.
Bandeira também lembra que, na semana passada, o Ibovespa recuou 1,71%, apesar de ter fechado a sexta-feira com alta de 0,49%, aos 184.108,29 pontos.
"Encolheu muito em função do comportamento das ações da Petrobras e da Vale", diz.
Agenda doméstica também no radar
No Brasil, índices inflacionários e balanços corporativos concentram as atenções. Amanhã será divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril e, nos próximos dias, dados de comércio e serviços, entre outros indicadores.
O boletim Focus desta segunda-feira trouxe nova rodada de revisões nas expectativas para o IPCA e para a Selic. A mediana para o IPCA deste ano subiu de 4,89% para 4,91%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%.
Considerando as 82 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana para a Selic no fim de 2026 aumentou de 13% para 13,25%.
Entre os balanços divulgados hoje, a Telefônica Brasil, dona da Vivo, informou que seu lucro líquido cresceu 19,2% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, chegando a R$ 1,261 bilhão. Apesar do resultado positivo, a ação da empresa caía 6,28% às 11h32.
Às 11h32, o Ibovespa recuava 0,78%, aos 182.680,58 pontos, após registrar mínima aos 182.496,85 pontos (-0,88%).
Entre os bancos, Bradesco PN e Unit de Santander lideravam as quedas, com recuos superiores a 1% e de quase 2%, respectivamente.
Petrobras ON virou para o negativo (-0,24%), enquanto Vale apresentava alta de 0,76%, após ter avançado mais de 1% no início do pregão.