
Carteira de trabalho e desemprego | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que, dos cerca de 6,58 milhões de brasileiros desempregados no primeiro trimestre de 2025, 1,1 milhão deles estão em busca de uma colocação há dois anos ou mais. O dado representa 21,7% do total de desempregados entre janeiro e março deste ano, mas aponta uma melhora em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 1,4 milhão de pessoas se encontravam nessa situação.
Além da redução no grupo que busca emprego há mais de dois anos, o IBGE também registrou queda no contingente que procura recolocação há menos de um mês. Esse grupo corresponde a 1,4 milhão de brasileiros, número 14,7% menor do que o registrado no mesmo trimestre do ano anterior, quando 1,6 milhão de pessoas buscavam uma ocupação há menos de 30 dias.
William Kratochwill, analista da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, explica que os resultados refletem a trajetória que renovou a menor taxa de desemprego do Brasil nos últimos meses. Segundo ele, "a queda da população que estava em busca de trabalho por mais de dois anos significa que o mercado melhorou de forma mais geral, enquanto a redução na parcela à procura por menos de um mês significa uma boa rotatividade, que está mais fácil de conseguir emprego". A taxa de desemprego atingiu 6,1% da população brasileira no primeiro trimestre de 2025, segundo o IBGE.
O índice representa uma leve alta em relação aos últimos três meses do ano anterior, quando ficou em 5,1%, mas ainda corresponde ao menor percentual de toda a série histórica iniciada em 2012 para o período. A tendência de crescimento da desocupação no início do ano é considerada tradicional pelo instituto, e se deve ao encerramento de contratos temporários e às demissões nas áreas da administração pública.
Os dados do IBGE também mostram disparidades entre grupos. A taxa de desocupação atingiu 5,1% dos homens e 7,3% das mulheres. Por cor ou raça, o índice ficou abaixo da média nacional para os brancos (4,9%) e acima para os pretos (7,6%) e pardos (6,8%). No recorte por nível de instrução, a desocupação entre pessoas com ensino médio incompleto (10,8%) superou as taxas dos demais grupos.
Para quem possui nível superior incompleto, a taxa foi de 7,0%, quase o dobro da verificada para aqueles com nível superior completo (3,7%). Os números divulgados pelo IBGE indicam um mercado de trabalho em recuperação, com redução do desemprego de longa duração e maior facilidade de recolocação, ainda que persistam desigualdades entre gêneros, raças e níveis de escolaridade.