
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Em um movimento estratégico para simplificar o comércio bilateral, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e a China Meat Association (CMA) assinaram, nesta quarta-feira (13), um Memorando de Entendimento (MoU) para a padronização da nomenclatura dos cortes de carne bovina exportados do Brasil para o mercado chinês. O acordo foi firmado na capital chinesa e visa criar uma linguagem comum entre exportadores brasileiros e importadores chineses.
A iniciativa surge para combater a proliferação desordenada de descrições para produtos similares, problema que se intensificou com o crescimento do número de frigoríficos brasileiros habilitados a exportar para o país asiático. A diversidade e a inconsistência nos nomes dos produtos vinham gerando entraves no desembaraço aduaneiro, na emissão de documentos comerciais e na circulação das mercadorias no mercado chinês.
Com a nova "Lista Unificada de Nomes de Produtos Bovinos", a ABIEC e a CMA estabelecem um padrão de referência em inglês e chinês para facilitar as operações portuárias e regulatórias. A medida foi celebrada pelo presidente da ABIEC, Roberto Perosa, que assinou o documento ao lado do presidente da CMA, Chen Wei. "Isso é um grande passo: evita contradições no momento do desembaraço da carga nos diversos portos aqui na China e facilita a vida do exportador brasileiro", afirmou Roberto Perosa.
O MoU recomenda a adoção voluntária da lista padronizada em contratos, faturas (invoices), romaneios de carga (packing lists) e documentos de declaração alfandegária. Para Chen Wei, a medida é fundamental para normalizar o fluxo comercial entre as duas nações. "Acreditamos que, através da assinatura deste memorando, ajudaremos a padronizar e normalizar o comércio de produtos de carne entre a China e o Brasil", destacou o líder da associação chinesa.
O acordo prevê ainda a criação de um comitê de especialistas técnicos que se reunirá regularmente para atualizar a lista conforme surgirem novos produtos ou mudanças nas demandas do mercado. Embora o documento expresse a intenção de cooperação e não tenha caráter legalmente vinculante, ele servirá como guia oficial para que as autoridades alfandegárias chinesas (GACC) homologuem os processos comerciais.