
Foto: OMS/Reprodução
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta terça-feira (12) que não há sinais de que o surto de hantavírus associado ao navio de cruzeiro MV Hondius esteja evoluindo para uma disseminação mais ampla da doença. O número de casos confirmados subiu para 11, e a entidade reforçou que todos os infectados estão isolados e sob acompanhamento médico.
A declaração foi feita pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante coletiva de imprensa em Madri, ao lado do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. "No momento, não há indícios de que estejamos presenciando o início de um surto maior, mas é claro que a situação pode mudar e, dado o longo período de incubação do vírus, é possível que vejamos mais casos nas próximas semanas", afirmou Tedros.
O dirigente acrescentou que a avaliação de risco global "segue baixa". A OMS informou que todos os casos suspeitos e confirmados foram isolados e estão sob "supervisão médica rigorosa", com o objetivo de reduzir o risco de transmissão adicional do hantavírus.
A Espanha confirmou nesta terça-feira (12) um novo caso relacionado ao surto. Segundo o Ministério da Saúde espanhol, uma passageira que havia testado positivo para o hantavírus apresentou febre e dificuldade para respirar. De acordo com o governo, a paciente permanece estável e "sem deterioração clínica evidente", apesar da evolução dos sintomas. Ela está entre os passageiros colocados em quarentena após a evacuação do navio. O caso amplia a lista de infectados ligados ao surto no cruzeiro, que já deixou três mortos e levou autoridades de diferentes países a repatriarem passageiros sob protocolos sanitários especiais.
Na Holanda, o hospital universitário Radboudumc, na cidade de Nijmegen, colocou 12 funcionários em quarentena preventiva após eles manipularem sangue e urina de um paciente infectado com hantavírus sem os protocolos reforçados adotados posteriormente. A instituição afirmou que o risco de infecção é "muito baixo" e que o atendimento segue normalmente. A quarentena dos profissionais deve durar seis semanas.
Enquanto isso, o MV Hondius iniciou viagem de retorno à Holanda com 25 tripulantes, além de um médico e uma enfermeira. Todos os passageiros já deixaram o navio, segundo a operadora Oceanwide Expeditions.
O que aconteceu no navio
O surto de hantavírus teve início durante a viagem do MV Hondius, um navio de expedição polar que percorria um roteiro entre a Argentina, a Antártida e ilhas isoladas do Atlântico Sul. Nos últimos dias, autoridades de diferentes países passaram a repatriar passageiros em aviões militares e governamentais após a confirmação de casos da cepa Andes do hantavírus, uma variante rara que, diferentemente da maioria dos hantavírus, também pode ser transmitida entre pessoas em situações de contato próximo. Até agora, três pessoas morreram: um casal holandês e um cidadão alemão.
Os casos identificados envolvem passageiros de diferentes países, incluindo França, Espanha e Estados Unidos. O hantavírus é normalmente transmitido pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores silvestres infectados. A doença pode causar sintomas semelhantes aos de uma gripe inicialmente, mas evoluir para insuficiência respiratória grave em alguns pacientes.