
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comparece nesta terça-feira (19) à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), em uma audiência que deve ser dominada pela crise do Banco Master.
A presença de Galípolo ocorre em meio a pressões tanto do governo quanto do Senado sobre sua postura em relação à gestão anterior do BC.
A expectativa entre os senadores é de que as perguntas se concentrem na liquidação do banco e em possíveis falhas cometidas por Roberto Campos Neto durante sua gestão no Banco Central.
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esperam que Gabriel Galípolo adote um tom menos defensivo em relação à administração anterior, embora não identifiquem sinais claros de mudança de postura.
Em abril, durante sua participação na CPI do Crime Organizado, Gabriel Galípolo adotou um discurso cauteloso e evitou responsabilizar diretamente Campos Neto pelas suspeitas de leniência do Banco Central no caso Master.
"Não há nenhum processo de auditoria ou sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos Neto", afirmou na ocasião.
Pressionado por senadores sobre uma possível atuação de Campos Neto para evitar uma intervenção ou liquidação do banco, Gabriel Galípolo reforçou que "a sindicância que foi feita não encontrou nada nesse sentido".
As declarações repercutiram negativamente entre aliados do presidente Lula, que construiu parte de seu discurso político recente com críticas à condução da política monetária e aos juros elevados durante a gestão anterior.
Segundo a CNN Brasil, Lula demonstrou irritação após as declarações de Gabriel Galípolo em defesa das medidas tomadas pela antiga direção do BC.
No Planalto, a avaliação é de que o atual presidente do Banco Central precisa reforçar a identidade da nova gestão e se distanciar da imagem de continuidade da administração de Campos Neto.
Apesar do desconforto gerado no governo, integrantes do Planalto reconhecem reservadamente que Gabriel Galípolo busca preservar a imagem técnica e a autonomia institucional do Banco Central, o que explica sua postura mais contida nas declarações públicas sobre o tema.