
Papa Leão XIV
O Vaticano ameaçou de excomunhão, nesta quarta-feira, 13, a Fraternidade São Pio X, grupo católico dissidente ligado à defesa da missa em latim. A punição seria aplicada caso o grupo insista em ordenar novos bispos sem a autorização do papa Leão XIV. Trata-se da primeira vez que o novo pontífice recorre à punição mais severa prevista pela Igreja Católica.
O escritório doutrinário do Vaticano comunicou à Fraternidade São Pio X, sediada na Suíça, que qualquer ordenação de bispos realizada sem o consentimento papal configuraria um cisma, ou seja, uma ruptura formal com o pontífice. O cardeal Victor Fernández, chefe do escritório doutrinário, afirmou em comunicado que a cerimônia planejada pelo grupo representaria "uma grave ofensa contra Deus e acarretaria na excomunhão prevista pela Igreja".
A Fraternidade São Pio X é um grupo ultraconservador que rejeita as mudanças introduzidas na Igreja por meio do Concílio Vaticano II, encontro histórico de bispos realizado nos anos 1960 que promoveu diversas reformas na Igreja Católica. Entre essas reformas estava a permissão para que a missa pudesse ser celebrada em idiomas locais, e não mais exclusivamente em latim.
Pessoas excomungadas pelo Vaticano são consideradas totalmente apartadas da Igreja. Elas perdem o direito de receber sacramentos, como a comunhão, e não podem ocupar cargos religiosos. Em caso de morte, também não têm direito a um funeral católico.
A Fraternidade São Pio X, que afirma contar com 733 padres ao redor do mundo, mantém relações tensas com o Vaticano há décadas. O fundador do grupo, o arcebispo Marcel Lefebvre, foi excomungado em 1988 após ordenar quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II. Os quatro bispos ordenados também foram excomungados na ocasião.
O sucessor de João Paulo II, Bento XVI, tentou retomar o diálogo com o grupo dissidente e revogou as excomunhões aplicadas por seu antecessor. Apesar disso, a atual liderança da Fraternidade São Pio X anunciou em fevereiro que pretende ordenar novos bispos em julho, mesmo sem aprovação do Vaticano, alegando necessidade de ampliar o número de líderes religiosos do grupo.
A Igreja Católica considera um princípio rígido que apenas o papa pode autorizar a consagração de novos bispos, como forma de manter a ligação da Igreja com os 12 apóstolos de Jesus, considerados os primeiros padres e bispos. A consagração realizada sem consentimento papal gera excomunhão automática tanto para o bispo responsável pela cerimônia quanto para os ordenados.