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Mais de duas semanas após o lançamento do novo Desenrola Brasil, parte dos bancos digitais e fintechs ainda não iniciou oficialmente as renegociações previstas no programa do governo federal. Algumas instituições digitais afirmam estar em fase de integração operacional e prometem liberar o serviço nos próximos dias. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, muitos dos bancos de menor porte ainda não estavam conectados ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), o veículo do governo responsável por cobrir eventuais calotes após a renegociação das dívidas dos clientes.
Para participar, essas instituições precisam aderir ao FGO e, em seguida, conectar seus sistemas ao do fundo, um processo que pode levar cerca de um mês. Lançado em 4 de maio pelo Ministério da Fazenda, o novo Desenrola Brasil prevê 90 dias para renegociação de dívidas bancárias, com descontos, parcelamentos e possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento dos débitos. O uso do FGTS, no entanto, só será liberado no dia 25. A adesão entre as instituições financeiras ainda ocorre de forma gradual. Logo após o anúncio oficial, o programa demorou alguns dias para ganhar impulso mesmo entre bancos tradicionais, com instituições oferecendo apenas pré-cadastros e restrições no parcelamento.
A Zetta, associação que reúne fintechs e bancos digitais, informou que seus associados aderiram ao novo Desenrola Brasil, mas que o início das renegociações depende dos fluxos internos de cada instituição e de ajustes operacionais necessários para viabilizar os processos. Já a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma que uma parcela relevante das instituições associadas já disponibilizou o programa aos clientes, sem relatar entraves para a implementação, embora ainda existam questões operacionais pontuais em algumas delas.
O C6 Bank informou que a renegociação será oferecida em breve e que está em processo de integração ao sistema do programa. Enquanto isso, a instituição mantém condições próprias de renegociação, com taxas de até 1,49% ao mês e parcelamento em até 72 vezes para dívidas em atraso entre 91 e 720 dias. O Mercado Pago também confirmou adesão ao Desenrola Brasil, mas informou que ainda avalia os procedimentos operacionais necessários antes de divulgar os canais e condições disponíveis aos clientes elegíveis.
A Neon afirma estar em fase final de implementação e espera lançar oficialmente as ofertas especiais de renegociação "a partir da próxima semana", com os clientes elegíveis sendo avisados pelos canais oficiais da instituição. O Banco Pan, do BTG Pactual, disponibiliza uma página para pré-cadastro de renegociação, enquanto o PagBank afirma participar do programa em fase inicial, com ampliação gradual conforme as integrações forem concluídas, operando principalmente pelo aplicativo e pelo portal de negociação. O Nubank afirma já participar do programa conforme as regras do governo federal, oferecendo renegociação para dívidas elegíveis com pagamento à vista ou parcelado. Uma área dedicada ao novo Desenrola Brasil começou a ser liberada gradualmente no aplicativo da instituição. Em paralelo, o banco mantém uma campanha própria para clientes não elegíveis ao programa. "Em ambos os casos, após a regularização da dívida, o cartão de crédito pode ser reativado mediante nova análise".
O PicPay também já disponibiliza renegociação dentro das condições especiais do programa, com acesso pelo aplicativo ou pelo portal da instituição. Entre as dívidas mais comuns renegociadas até o momento estão cartão de crédito, empréstimo pessoal e contratos antigos com inadimplência. O Inter, por sua vez, afirma estar apto a realizar renegociações dentro do novo Desenrola Brasil desde 7 de maio, com acesso pelo aplicativo, na área "Cartões" e depois em "Negociar", ou pelo site de renegociação da instituição. O Digio, banco digital do Bradesco, confirma participação no programa e oferece renegociação por canais como aplicativo, WhatsApp e SMS. Segundo a instituição, houve aumento de 30% na procura por negociações desde o lançamento do Desenrola Brasil. Apesar do avanço gradual, o cenário aponta para uma normalização das operações nas próximas semanas, à medida que as integrações técnicas forem concluídas e mais instituições passarem a oferecer plenamente as condições previstas no programa do governo federal.