
Indústria | Foto: CNI/Reprodução
A produção industrial brasileira registrou o pior desempenho para o mês de abril desde 2023, segundo dados da Sondagem Industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria). O indicador recuou de 53,7 pontos para 46,7 pontos no período, sinalizando uma perda de ritmo mais intensa do que o habitual para a época do ano. Embora seja comum que a produção recue em abril, a queda registrada em 2026 veio acima do esperado.
Para o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o resultado reflete pressões causadas pelo elevado patamar dos juros e pelo aumento dos custos. "A série histórica mostra que é normal que a produção recue em abril, mas a queda registrada em 2026 veio acima do usual, refletindo uma perda de ritmo mais intensa da atividade industrial", afirmou Azevedo.
O mercado de trabalho no setor industrial também sentiu os efeitos do período. O indicador que mede a evolução dos postos de trabalho caiu de 49,1 para 48,7 pontos entre março e abril. Apesar de o movimento ser usual para o período, a intensidade foi maior do que a observada em anos anteriores, atingindo o patamar mais baixo dos últimos três anos. Com a produção em queda, a UCI (Utilização da Capacidade Instalada) recuou um ponto em abril, chegando a 68%, ante 69% registrado no mesmo mês do ano passado. O índice de estoque efetivo-planejado, que compara o nível de estoque das indústrias ao desejado por elas, caiu pelo segundo mês consecutivo, passando de 49,5 pontos para 48,9 pontos, segundo a CNI.
Apesar dos recuos nos indicadores de abril, as projeções do setor permanecem otimistas. Os índices que avaliam as expectativas dos empresários registraram pequenas oscilações, mas se mantiveram no campo positivo. O indicador sobre compra de insumos e matérias-primas subiu 0,1 ponto, alcançando 52,6 pontos, enquanto o de número de empregados cresceu para 50,4 pontos.
A análise das expectativas da CNI também aponta resultados acima da linha de corte de 50 pontos nas previsões para a quantidade exportada, que avançou para 51,2 pontos, e para a demanda por produtos industriais, que recuou levemente para 53,4 pontos. Em conjunto, os dados indicam que os empresários projetam alta da demanda, da compra de insumos, do número de trabalhadores e das exportações nos próximos meses.