
Foto: José Paulo Lacerda/CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta sexta-feira, 8, que o faturamento da indústria de transformação registrou alta de 3,8% em março em relação a fevereiro, encerrando o trimestre com crescimento acumulado de 9,8% frente a dezembro de 2025. Apesar do avanço mensal, os indicadores do setor apontam queda acumulada de 4,8% na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior.
Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o desempenho negativo na comparação anual tem explicação direta na política monetária: "De lá para cá, a demanda por bens industriais começou a perder força por conta da elevação da taxa de juros, que teve início no fim de 2024 e persistiu em 2025, contribuindo para a queda do faturamento na comparação interanual".
O número de horas trabalhadas na produção também apresentou crescimento pelo terceiro mês seguido. Depois de alta de 0,8% em janeiro e de 0,6% em fevereiro, o índice avançou 1,4% em março. No entanto, no acumulado do primeiro trimestre, as horas trabalhadas ainda registram queda de 1,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) cresceu 0,3 ponto percentual entre fevereiro e março, passando de 77,5% para 77,8%, mas permaneceu abaixo do nível registrado no mesmo mês do ano anterior.
Para Azevedo, o dado revela um cenário de ociosidade no setor: "Isso mostra que há certa ociosidade na indústria. Ou seja, há maquinário e pessoal, mas o setor vem produzindo menos do que pode por conta de uma demanda mais fraca". No mercado de trabalho industrial, o cenário também apresenta sinais de fragilidade. Pela quinta vez em sete meses, o emprego no setor recuou. Entre fevereiro e março, a abertura de vagas caiu 0,3%.
A massa salarial recuou 2,4% em março e o rendimento médio real dos trabalhadores industriais registrou queda de 1,8% no período. No acumulado do trimestre, os postos de trabalho encolheram 0,7%, enquanto a massa salarial subiu 0,8% e o rendimento médio real avançou 1,5% em relação ao intervalo de janeiro a março de 2025. Os dados da CNI reforçam um panorama de recuperação gradual na margem, mas com pressões persistentes sobre o desempenho anual da indústria brasileira.