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Alysson Augusto Alves, técnico de comunicações acusado de matar o tio da própria esposa, foi solto após passar quase três meses preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Registro, no interior de São Paulo. Ele havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por matar e furtar o telefone de Denilson Nascimento Alves, cabeleireiro com quem mantinha um relacionamento amoroso, com o objetivo de ocultar o caso extraconjugal. O crime ocorreu na madrugada de 31 de janeiro, no bairro Rocio, em Iguape (SP). Alysson Augusto foi detido pela Polícia Militar a cerca de 4 km do local e confessou o crime alegando legítima defesa. Ele chegou a ser liberado após audiência de custódia, mas foi novamente preso por solicitação do MP.
Agora, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), obtida após a defesa entrar com um habeas corpus com pedido de soltura liminar, determinou a revogação da prisão preventiva.
Com a soltura, o juiz impôs uma série de medidas cautelares que Alysson Augusto deverá cumprir enquanto responde ao processo: - Está proibido de ter contato com testemunhas do caso; - Deve manter endereço e telefone sempre atualizados; - Tem obrigação de comparecer aos atos do processo quando convocado; - Deverá utilizar tornozeleira eletrônica; - Não pode se ausentar da cidade por mais de 8 dias sem autorização judicial; - Deve comparecer mensalmente à Justiça para justificar suas atividades. O alvará de soltura foi expedido na quinta-feira (30), e Alysson Augusto deixou o CDP em seguida.
A advogada da família da vítima, Maria Claudia Calixto, informou ao g1 que pretende recorrer da decisão, por entender que a soltura compromete a instrução do processo. Isso porque a única testemunha ocular do crime é a sobrinha de Denilson, que também é esposa de Alysson Augusto. A advogada ressaltou ainda que o mérito do habeas corpus ainda não foi julgado. O processo corre em segredo de Justiça.
Há cerca de um mês, a Justiça de Iguape aceitou a denúncia do MP e tornou Alysson Augusto réu no processo em que é acusado de matar Denilson. As acusações incluem homicídio qualificado, com as agravantes de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O MP também atribuiu a ele o crime de furto, agravado por ter sido cometido em horário noturno, uma vez que ele fugiu do local com o telefone da vítima. À época, o juiz havia decretado a prisão preventiva do suspeito, entendendo que havia provas do homicídio e riscos concretos de fuga.
O laudo necroscópico apontou que Denilson foi atingido por ao menos cinco facadas, sendo parte delas desferidas quando a vítima já estava caída no chão. O documento também registrou escoriações que indicaram uma possível luta corporal antes do crime. Segundo apuração do g1, no dia do crime, Alysson Augusto estava com a esposa em shows em Ilha Comprida e Iguape. Durante os eventos, ela percebeu que o marido trocava mensagens em tom de discussão com Denilson. Por isso, o casal se dirigiu à casa da vítima para cobrar explicações.
Assim que chegaram, Denilson foi até o portão e disse: "eu conto ou você conta", revelando em seguida que mantinha um relacionamento amoroso com Alysson Augusto há muito tempo. A partir disso, instaurou-se uma discussão entre a vítima e o casal. Conforme o depoimento da sobrinha, em determinado momento Denilson sacou uma faca que mantinha escondida e a aproximou do rosto do suspeito, dizendo: "Não venha querer me bater, olha aqui para você". Nesse instante, Alysson Augusto reagiu e atingiu a vítima. Durante a audiência de custódia, ele disse estar arrependido e afirmou que o ato não foi premeditado, sustentando que Denilson iniciou as agressões e que agiu apenas em legítima defesa. O suspeito acrescentou que tem duas filhas com a esposa.
Alysson Augusto tentou ingressar na Polícia Militar em 2021, mas foi reprovado no exame psicológico da corporação por não atender ao perfil exigido para o cargo de Soldado de 2ª Classe da PM de São Paulo.
O examinador concluiu que o candidato não apresentou aptidão em pontos específicos, como relacionamento interpessoal e capacidade de liderança. "Seus testes evidenciam uma personalidade instável e pouco persistente, temor de situações novas, riscos e iniciativas, receio em relação ao futuro e aos relacionamentos", concluiu o psicólogo. O caso segue em andamento, com Alysson Augusto respondendo ao processo em liberdade, sob as medidas cautelares impostas pela Justiça.