
Foto: Agência Brasil
O presidente Lula sinalizou a aliados próximos que pretende reenviar ao Senado Federal a indicação do ministro da AGU, Jorge Messias, ao STF, após sofrer uma derrota histórica com a rejeição do nome no último dia 29 de abril. O petista, no entanto, ainda não definiu uma data para o novo envio. Desta vez, segundo relatos de aliados, o chefe do Palácio do Planalto pretende participar diretamente da articulação política em torno do nome de Messias. Integrantes responsáveis pela articulação do governo no Senado tiveram a relação desgastada com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), após a derrota do ministro.
É o caso do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), cuja relação com o senador se agravou ainda mais nos bastidores. A coluna apurou que, até a última sexta-feira (15/5), Alcolumbre e Jaques ainda não haviam conversado desde a rejeição de Messias. A relação entre os dois, que já vinha desgastada, é considerada estremecida até mesmo por parlamentares próximos ao governo.
Em entrevista ao Bahia Notícias, publicada em 6 de maio, Jaques Wagner comentou os impactos da indicação de Messias em sua relação com o presidente do Senado. "Minha função como líder do governo é conversar com todo mundo. Converso com o presidente do Senado, com Flávio Bolsonaro… Se eu não conversar com todos, não consigo aprovar as matérias, porque nós não temos maioria. Infelizmente, minha relação ficou muito estremecida com o presidente do Senado, porque ele queria o Pacheco e, por eu ser líder do governo, ele acha que eu deveria arrancar isso do presidente. Mas, repito: não mando na cabeça do presidente", declarou.
Aliados de Jaques apostam que, diante da "experiência" e da "habilidade política" do senador baiano, o diálogo com Alcolumbre deverá ser retomado. "Eles vão se entender no final", disse uma fonte à coluna. Um nome que tem atuado para reduzir a tensão é o senador Otto Alencar (PSD-BA). O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) mantém conversas frequentes por telefone com Alcolumbre e, considerado um dos interlocutores de confiança de Lula e de Jaques, tem defendido internamente que o governo restabeleça a interlocução política com o presidente do Senado.
Jaques e Alcolumbre chegaram apenas a trocar um rápido cumprimento durante a posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, realizada na última segunda-feira. Na cerimônia, Lula e Alcolumbre sequer se olharam. Mais tarde, ao comentar o episódio com aliados, o presidente voltou a demonstrar incômodo com a relação com o senador.