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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a exploração de petróleo na foz do Amazonas, na Margem Equatorial, durante discurso realizado na Replan, refinaria da Petrobras localizada em Paulínia, interior de São Paulo. A proposta é alvo de críticas de ambientalistas, que apontam os altos riscos ambientais da região.
Lula garantiu que a exploração será conduzida com "responsabilidade" e aproveitou o discurso para justificar a necessidade de ocupar a área, citando inclusive o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um risco potencial. "Ninguém tem mais cuidado com a Amazônia do que nós [do governo]", afirmou o presidente. "Agora, a gente vai fazer com a maior responsabilidade do mundo, mas a gente não pode deixar [pra lá] uma riqueza que está a quase 500 metros de distância da nossa margem."
Um dos pontos mais destacados do discurso foi o uso do comportamento expansionista de Trump como justificativa para a exploração. Lula afirmou: "Porque de repente o Trump vem, acha que é dele e vai lá. Ele achou. Ele achou que o Canadá era dele. Ele achou que a Groenlândia era dele. Ele achou que o Golfo do México era dele. O Canal do Panamá. Quem é que não vai dizer que a margem equatorial é dele também? Então vamos ocupar."
A Margem Equatorial é reconhecida por seus manguezais e recifes, abrigando o Grande Sistema de Recifes da Amazônia, um bioma raro composto por corais, esponjas e algas que vive sob as águas turvas da foz e ainda é amplamente desconhecido pela ciência. A costa da região concentra cerca de 80% dos manguezais do Brasil, um ecossistema impossível de ser recuperado após contaminação por óleo, o que pode gerar danos permanentes à fauna marinha.
"Vamos ocupar, explorar o petróleo com maior responsabilidade e fazer com que esse dinheiro possa ser revertido para garantir o futuro desse país", declarou Lula. No mesmo discurso, Lula criticou a oposição histórica da "elite brasileira" à criação da Petrobras. "Pra criar a Petrobras foi uma guerra. A elite brasileira não queria. Achava que a gente deveria continuar importando petróleo de outros países. [Mas] Teve um bando de brasileiros que resolveu brigar para ter a Petrobras", afirmou. Depois de criada, segundo o presidente, a estatal passou a ser alvo de campanhas pela privatização.
"Sempre aparece um gênio que faz uma manchete no jornal e começa uma campanha criando uma imagem negativa para destruir [a Petrobras]", disse. "Isso é prática neste país. Minha vida política começou fazendo esse confronto." Lula também criticou a venda da BR Distribuidora e da Liquigás durante governos anteriores. "O que o Brasil ganhou com a privatização da BR? Queria que alguém dissesse", questionou.
"Eu tinha comprado a Liquigás no primeiro mandato para a gente ter o mínimo controle no preço do gás de cozinha. O que eles fizeram? Venderam." A Liquigás foi vendida em 2020 e a BR Distribuidora foi privatizada no ano seguinte. "A Petrobras tem de ser vista como um patrimônio. É a mais rentável empresa brasileira, é a menina de ouro do Brasil. Fortalecer a Petrobras é muito importante", reforçou Lula.
O evento também serviu para anunciar um investimento de R$ 37 bilhões da Petrobras no estado de São Paulo até 2030, destinados a exploração e produção, refino, gás e biocombustíveis. A presidente da empresa, Magda Chambriard, destacou que "os investimentos da Petrobras em São Paulo vão desde a exploração na produção nos campos de pré-sal e pós-sal até investimentos em logística e transporte de óleo e derivados no terminal de Santos."
O plano central é ampliar a capacidade de refino no estado. Do total, R$ 17 bilhões serão destinados a essa expansão, sendo R$ 6 bilhões exclusivamente para a Replan. A refinaria de Paulínia tem capacidade de processar 434 mil barris de petróleo por dia, o equivalente a 20% da capacidade de refino de todo o Brasil e a 1% do PIB nacional. Com os novos aportes, a capacidade de produção da unidade poderá crescer 5% até 2027.
Além disso, a Petrobras planeja ampliar a exploração na Área de Aram, com a perfuração de dois poços para identificar petróleo no bloco localizado no sudoeste da Bacia de Santos, na região do pré-sal. "É uma área muito promissora e será nosso primeiro projeto nessa área de alta pressão da Bacia de Santos", afirmou João Lucas Gizzi, gerente de projetos da companhia. A estatal detém 80% da operação no Bloco de Aram, adquirido em 2020, enquanto os 20% restantes pertencem à CNPC (China National Petroleum Corporation).