
Ministro do STF Gilmar Mendes e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Victor Piemonte/STF | Claudio Gatti/VEJA)
O governador de Minas Gerais e pré-candidato do Novo à presidência da República, Romeu Zema, declarou neste sábado (25) que está avaliando medidas jurídicas contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão vem após comentários do ministro que Zema classificou como xenofóbicos sobre seu sotaque.
Durante entrevista concedida à reportagem da Itatiaia na abertura da Expozebu em Uberaba, Zema afirmou que as declarações de Gilmar Mendes ofenderam milhões de brasileiros, especialmente os mineiros do Triângulo Mineiro, conhecidos por seu sotaque característico.
"O jurídico meu, do partido, está avaliando. É uma fala ofensiva, xenofóbica, que destrata milhões de brasileiros. Se ele teve oportunidade de estudar na Alemanha, em Coimbra, parabéns para ele. Ele parece se considerar, como os intocáveis de Brasília, uma casta superior. Enquanto está vivendo no luxo, nós brasileiros que trabalhamos estamos vivendo no lixo", declarou Zema.
A polêmica começou na quinta-feira (23), quando Gilmar Mendes concedeu entrevistas ironizando a forma de falar do ex-governador mineiro. Ao comentar sobre seu pedido para incluir Zema no inquérito das Fake News, relatado pelo ministro Alexandre Moraes, Gilmar afirmou que "Zema fala uma língua lá no Timor Leste".
"Ele fala um dialeto próximo do português, muitas vezes a gente não o entende, eu estava imaginando que ele fala uma língua lá do Timor Leste, o tétum ou coisa assim. De qualquer forma, no que for inteligível, é importante que a PGR, a Polícia Federal e o ministro Alexandre apreciem", disse o ministro do STF.
No dia seguinte, em outra entrevista, Gilmar Mendes intensificou as críticas e chegou a dizer que poderia ofender Zema com montagens mostrando o ex-governador como homossexual: "Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?". Posteriormente, o ministro pediu desculpas pela declaração.
Zema rebateu as declarações do ministro, afirmando que Gilmar conseguiu ofender tanto homossexuais quanto milhões de brasileiros com suas entrevistas.
"Eu imaginava que o ministro Gilmar Mendes fosse um homem mais instruído. Em uma semana ele conseguiu ofender os homossexuais, conseguiu ofender os mineiros, os goianos, principalmente nós mineiros do Triângulo, que temos um sotaque bem característico. Eu converso igual milhões de brasileiros do interior, que levantam cedo para trabalhar, que pagam impostos. Faria bem ao ministro sair do seu gabinete para percorrer o Brasil e ver os danos que o Supremo tem causado a quem trabalha. Ele está muito cercado de bajuladores e tomando pouca consciência do Brasil real", declarou o ex-governador.
Além de criticar Gilmar Mendes, Zema também mencionou os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, afirmando que ambos precisam explicar suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
"Ele e os colegas é que viajaram em jatinhos com um criminoso. Um fez um contrato para a esposa, de R$ 129 milhões, outro teve um sociedade em hotel por R$ 30 milhões. Eu nunca estive com esse criminoso. Eles, ministros do Supremo, com uma conexão tão próxima. Tomando whisky e frequentando a residência de um criminoso. Ele deveria se explicar melhor. Está se preocupando com um tema pequeno", concluiu Zema.