
Destroços do RMS Titanic no fundo do Oceano Atlântico - Imagem: Divulgação/OceanGate
O naufrágio do Titanic completa mais um aniversário nesta data histórica. O transatlântico britânico afundou por volta das 2h20 de 15 de abril de 1912, após colidir com um iceberg no Oceano Atlântico Norte, resultando na morte de mais de 1.500 pessoas durante sua viagem inaugural de Southampton para Nova York.
Mais de um século depois, a tragédia do Titanic continua despertando curiosidade mundial, inclusive de pessoas que investem grandes quantias para tentar visitar os destroços, como vimos no caso do submarino Titan que terminou em desastre.
Parte dessa história foi popularizada no cinema por James Cameron, diretor do filme "Titanic", que realizou dezenas de expedições ao local do naufrágio.
A seguir, apresentamos o que é verdade e o que é mito sobre o desastre do Titanic e sua representação no cinema:
* O horário do naufrágio retratado no filme corresponde ao momento real do afundamento, incluindo cenas em que a água já domina grande parte do navio. Diversas recriações foram inspiradas em registros históricos autênticos, como a imagem de um menino brincando no deck, baseada em uma fotografia tirada por um passageiro durante a viagem.
* Estudos científicos confirmam que o Titanic realmente se dividiu em duas partes antes de afundar completamente. A popa já estava parcialmente submersa quando ocorreu a ruptura, como mostrado no filme de Cameron, embora com algumas diferenças técnicas em relação ao ângulo real.
* A socialite Margaret Brown, retratada como "Molly Brown" no filme, realmente ajudou passageiros a embarcar nos botes salva-vidas e incentivou o retorno para resgatar mais pessoas. Outro caso marcante e verdadeiro é o do empresário Isidor Straus e sua esposa Ida, que decidiram permanecer juntos no navio em vez de se separarem, cena reproduzida de forma emocionante na produção cinematográfica.
* O líder da banda, Wallace Hartley, e outros músicos realmente tocaram para acalmar os passageiros durante o naufrágio. A escolha da música "Nearer, My God, to Thee" é considerada plausível pelos historiadores, embora não haja confirmação definitiva de que tenha sido a última canção executada pelo grupo.
Apesar do rigor histórico em muitos aspectos, o filme "Titanic" também apresenta elementos fictícios. Os protagonistas interpretados por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet são personagens inventados, mas o sucesso do longa foi tão expressivo que ajudou a ampliar o interesse mundial pelo naufrágio.
A produção se tornou uma das maiores bilheterias da história do cinema e conquistou 11 estatuetas do Oscar.
Contrariando a crença popular, o Titanic nunca foi oficialmente anunciado como "inafundável".
A fama da resistência da embarcação se deu pela construção em partes separadas, chamadas de compartimentos, que teoricamente impediriam o naufrágio completo em caso de avarias.
No filme, o navio se quebra em um ângulo próximo de 90 graus, uma representação dramática que difere da realidade. Estudos posteriores realizados por especialistas indicam que a ruptura ocorreu com aproximadamente 23 graus de inclinação, bem menos vertical do que o retratado na tela.
O automóvel mostrado no filme é uma réplica de um Renault Type CB Coupe de Ville. Um carro semelhante realmente estava a bordo do Titanic, pertencente a um passageiro que sobreviveu ao desastre, mas o veículo nunca foi encontrado após o naufrágio.
A representação do primeiro oficial William McMaster Murdoch atirando contra passageiros e depois cometendo suicídio é uma das cenas mais controversas do filme. Não há evidências históricas conclusivas de que isso tenha realmente ocorrido, e familiares do oficial contestam veementemente essa representação.
Mais de um século após o naufrágio, o Titanic continua sendo objeto de fascínio e estudo, com novas descobertas sendo feitas a cada expedição aos destroços. A combinação de fatos históricos e elementos dramatizados contribuiu para manter viva a memória desta que foi uma das maiores tragédias marítimas da história.