
Foto: Ascom/STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma crescente crise de credibilidade após revelações de que ministros da Corte aceitaram viagens em jatinhos particulares de Daniel Vorcaro, banqueiro preso no caso Master. Essa situação intensificou o debate sobre a necessidade de um código de conduta para os magistrados, proposta defendida pelo presidente Edson Fachin, mas que encontra resistência entre alguns ministros.
As revelações sobre as viagens aéreas complicaram ainda mais a situação dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que já estavam ligados ao caso Master por repasses financeiros significativos. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Moraes e sua esposa Viviane utilizaram aeronaves do banqueiro em sete ocasiões para viajar a São Paulo, enquanto Toffoli voou para Marília, sua cidade natal.
Na última terça-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, manifestou sua expectativa de aprovar o código de conduta até o final do ano. "Quem age em desacordo com uma regra ética precisa se sentir constrangido a repensar seu comportamento, fazer uma autocrítica e voltar para o caminho adequado", declarou Fachin aos jornalistas. No entanto, em vez de gerar consenso, a declaração do presidente provocou reações negativas entre seus colegas. Um ministro, que preferiu não se identificar, chegou a afirmar que Fachin estaria "desmoralizado" perante os demais membros da Corte, descrevendo o tribunal como uma "nau à deriva", como se o presidente fosse obrigado a navegar pelas águas do corporativismo e da proteção mútua.
Apesar das resistências, Fachin mantém sua posição sobre a importância da adoção de regras de ética e transparência. Embora o código não seja uma solução definitiva para todos os problemas, poderia contribuir significativamente para a recuperação da imagem e da respeitabilidade do tribunal, representando uma resposta mínima às evidências de proximidade questionável com o poder econômico.
Os opositores da proposta parecem confundir a defesa institucional com o acobertamento de práticas inadequadas. É notável que, conscientes da fragilidade de seus argumentos, não expressam publicamente as mesmas queixas que fazem nos bastidores. É importante ressaltar que a deterioração da imagem do STF não começou com o caso Master. Esse processo foi acelerado por uma campanha organizada para desacreditar o sistema de Justiça e a própria democracia brasileira. O Supremo demonstrou capacidade de resistir aos ataques externos e afastar ameaças golpistas. Agora, enfrenta o desafio de combater os problemas internos que comprometem sua credibilidade perante a sociedade.