
Foto: Porto de Santos/Divulgação
As exportações brasileiras para o Oriente Médio sofreram uma queda significativa de 26% em março, primeiro mês do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o valor exportado para os 15 países da região diminuiu de US$ 1,2 bilhão em março de 2023 para US$ 882 milhões este ano.
O impacto foi especialmente sentido no setor do agronegócio, com reduções expressivas nas exportações de produtos essenciais. A análise dos dados revela um cenário preocupante para as relações comerciais do Brasil com a região, embora autoridades apontem que ainda é cedo para atribuir todos os efeitos diretamente ao conflito.
As exportações de carne suína registraram a queda mais acentuada, com redução de 59% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
As vendas de frango, principal item exportado pelo Brasil para o Oriente Médio, diminuíram aproximadamente 22%.
O comércio de soja para a região também foi afetado, apresentando uma redução de 25%.
No final de março, o Brasil estabeleceu um acordo estratégico com a Turquia para viabilizar a passagem e o armazenamento temporário de mercadorias do agronegócio destinadas ao Oriente Médio e à Ásia Central. Contudo, os resultados deste acordo só deverão ser percebidos na balança comercial a partir de abril.
Em contraste com a queda nas exportações para o Oriente Médio, o setor petrolífero brasileiro apresentou um desempenho excepcional. As exportações de óleo bruto cresceram 70,4% em valor, alcançando US$ 4,7 bilhões, enquanto em volume o aumento foi ainda mais expressivo, chegando a 75,9%. Apesar deste crescimento notável, o governo brasileiro evita afirmar categoricamente que este aumento esteja diretamente relacionado ao conflito no Oriente Médio, mesmo reconhecendo que a guerra já afetou cerca de 20% do comércio global de petróleo e elevou consideravelmente o preço do barril no mercado internacional.
Para os próximos meses, a perspectiva para as exportações de petróleo é de retração, principalmente devido à introdução, em meados de março, de uma alíquota de 12% sobre as exportações brasileiras deste produto, medida adotada pelo governo para compensar parte dos subsídios ao diesel.
O impacto nas relações comerciais não se limitou ao Oriente Médio. Outros mercados importantes também reduziram suas compras de produtos brasileiros em março, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior.
As exportações para os Estados Unidos diminuíram 9,1%, enquanto para o Canadá e Argentina houve quedas de 10% e 5,9%, respectivamente. Por outro lado, as vendas para a China cresceram 17,8% no mês, reforçando a posição do país asiático como principal parceiro comercial do Brasil.
Esta disparidade nos resultados comerciais com diferentes parceiros evidencia o panorama complexo do comércio exterior brasileiro no atual contexto geopolítico.
Em termos de balança comercial, o Brasil registrou déficit com os Estados Unidos em março, com exportações de US$ 2,8 bilhões e importações de US$ 3,3 bilhões. Já com a China, o país obteve um superávit de US$ 3,8 bilhões no mesmo período. As exportações para a União Europeia apresentaram crescimento de 7,3%, enquanto com a Argentina, apesar da queda nas vendas, manteve-se um saldo positivo na balança comercial.
Apesar das quedas pontuais em determinados mercados e setores, o Brasil conseguiu registrar um superávit comercial de US$ 6,4 bilhões em março. As exportações totais somaram US$ 31,7 bilhões, representando um aumento de 10%, enquanto as importações cresceram 20,1%, atingindo US$ 25,2 bilhões.
Este cenário reflete os impactos iniciais do conflito no Oriente Médio sobre o comércio global, com efeitos variados entre diferentes regiões e produtos, especialmente nas cadeias ligadas a energia e alimentos. A evolução destes indicadores nos próximos meses será fundamental para avaliar o real impacto da guerra nas relações comerciais do Brasil com o mundo.