
Bombardeios israelenses no Líbano - Reprodução/X/JulianMaciasT
O Hezbollah anunciou uma série de ataques de foguetes contra o Norte de Israel após acusar o país de violar o cessar-fogo no Líbano. O grupo xiita declarou que suas ações continuarão até que "a agressão israelense-americana contra o nosso país e o nosso povo cesse", intensificando as tensões na região.
A situação no Líbano deteriorou-se rapidamente após Israel rejeitar a inclusão do país no acordo de cessar-fogo, afirmando que continuará operações para "eliminar qualquer ameaça ao Estado de Israel". A Força de Defesa de Israel (FDI) informou que suas tropas mataram oito membros do Hezbollah, incluindo o comandante regional Maher Qassem Hamdan.
• A FDI confirmou que suas "Tropas da 162ª Divisão continuam operações terrestres direcionadas no sul do Líbano", demonstrando a persistência das ações militares israelenses na região.
• Tel Aviv também anunciou o assassinato de Ali Yusuf Harshi, secretário do Secretário-Geral do Hezbollah, Naim Qassem, em um ataque realizado em Beirute na noite anterior.
• Em resposta às ações israelenses, o Irã ameaçou romper com o cessar-fogo, argumentando que o acordo previa trégua em todas as frentes de batalha no Oriente Médio.
O presidente Donald Trump tem insistido que o Líbano não estava incluído no acordo, contradizendo o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do cessar-fogo, que confirmou que o fim dos combates no território libanês fazia parte das negociações originais.
A comunidade internacional tem aumentado a pressão para que o Líbano seja incluído no acordo. França, Reino Unido, Espanha e representantes da União Europeia manifestaram-se favoráveis à ampliação da trégua.
O presidente libanês, Masoud Pezershkian, declarou que a continuidade das agressões torna as negociações para o fim da guerra "sem sentido". Uma reunião entre representantes do Irã e Estados Unidos está marcada para esta sexta-feira (10) em Islamabad, no Paquistão, para discutir os pontos de um possível acordo que fortaleça o frágil cessar-fogo de duas semanas.
Os bombardeios israelenses contra o Líbano intensificaram-se com o início do conflito no Irã, após o Hezbollah retomar ataques contra Israel em 2 de março. O grupo xiita justificou suas ações como retaliação aos ataques israelenses contra o Líbano e em resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
O conflito entre Israel e o Hezbollah tem raízes históricas que remontam à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada em reação à invasão e ocupação israelense no Líbano. Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar as forças israelenses do país, consolidando-se posteriormente como partido político com representação parlamentar.
A fase atual do conflito está diretamente relacionada à situação na Faixa de Gaza desde 2023. O Hezbollah intensificou seus ataques com foguetes contra o norte de Israel em solidariedade aos palestinos, visando também desgastar as defesas israelenses.
Em novembro de 2024, foi estabelecido um acordo de cessar-fogo entre o grupo xiita e o governo de Benjamin Netanyahu, após Israel eliminar várias lideranças do Hezbollah. Contudo, Israel manteve ataques periódicos contra o Líbano, alegando atingir infraestrutura do grupo, que evitava reagir até o início das hostilidades no Irã.
O Líbano foi alvo de operações militares israelenses em diversas ocasiões anteriores, incluindo nos anos de 2006, 2009 e 2011, demonstrando o padrão recorrente de conflitos na região.