
Dólar — Foto: Reprodução
O Dólar tem apresentado uma forte desvalorização frente ao real em 2026, acumulando uma queda de quase 9% desde o início do ano. A moeda norte-americana, que era negociada a R$ 5,4778 no início de janeiro, atingiu a cotação de R$ 5,0063 na última sexta-feira (10), com investidores buscando refúgio diante das incertezas relacionadas à economia dos Estados Unidos e à condução da guerra no Oriente Médio.
O recente acordo de cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã teve repercussão positiva no mercado brasileiro desde seu anúncio na última terça-feira (7). Em apenas três dias, o Dólar recuou de R$ 5,15 para R$ 5,0063, representando uma queda de 3%, impulsionada pela reação favorável ao tratado.
Existem diversos fatores contribuindo para essa desvalorização do Dólar:
* O cessar-fogo no Oriente Médio diminuiu momentaneamente a aversão ao risco nos mercados globais, o que tende a enfraquecer o Dólar frente a outras moedas, incluindo o real.
* Há um movimento estrutural de diversificação das reservas internacionais, com diversos países reduzindo sua dependência do Dólar e ampliando posições em outras moedas.
* No caso específico do Brasil, o real se beneficia de fatores internos como a entrada de capital estrangeiro, expectativas positivas ligadas ao crescimento econômico e perspectivas de avanços em acordos comerciais importantes.
Apesar da tendência de queda, Almeida alerta que o cenário continua bastante instável. Quedas mais acentuadas do Dólar dependeriam de um conjunto consistente e prolongado de fatores positivos no Brasil.
A grande questão agora é qual seria o limite para essa queda do câmbio e se o piso de R$ 4,00 seria alcançável. Para o especialista, um cenário de Dólar abaixo de R$ 5,00 dependeria de um ambiente forte de entrada de capital estrangeiro, crescimento econômico sustentável, melhora fiscal e avanços concretos em acordos internacionais.
De acordo com o Boletim Focus do Banco Central divulgado na última segunda-feira (6), o mercado financeiro ainda projeta um câmbio fechando o ano em R$ 5,40. Isso indica que, apesar da melhora recente no cenário, os analistas ainda enxergam riscos relevantes que podem pressionar o câmbio nos próximos meses.
Entre esses riscos está o aumento no preço dos combustíveis, que pressiona a inflação. Somente em março, o índice de preços avançou 0,88%, com um impacto relevante da alta de 4% na gasolina. Essa pressão inflacionária tende a influenciar as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) e a taxa básica de juros, indicadores que podem levar à desvalorização do real frente ao Dólar.
Embora o Dólar tenha registrado uma queda significativa neste início de 2026, o cenário para os próximos meses permanece incerto. A combinação de fatores externos e internos continuará a influenciar a trajetória da moeda americana frente ao real, exigindo atenção constante dos investidores e analistas de mercado.