
Nascer da Terra visto da órbita do lado oculto da Lua — Foto: HANDOUT / NASA
A tripulação da missão Artemis II da NASA testemunhou um fenômeno raro e impressionante durante seu histórico sobrevoo lunar: impactos de meteoritos atingindo a superfície da Lua.
Este evento, descrito pelos astronautas como "pontinhos de luz", gerou entusiasmo entre cientistas que acompanhavam a missão a partir da Terra. "Isso definitivamente foram flashes de impacto na Lua. E Jeremy [Hansen] acabou de ver outro", relatou o comandante da missão, Reid Wiseman, enquanto a equipe realizava o primeiro sobrevoo lunar tripulado em mais de meio século.
A observação desses impactos não era esperada pelos cientistas, que demonstraram surpresa e alegria ao receberem os relatos. Durante o período de aproximadamente sete horas de observação lunar, a tripulação da Artemis II registrou um total de seis impactos de meteoritos na superfície lunar:
* Os astronautas descreveram os impactos como "pontinhos de luz" com duração extremamente curta, comparável a "um milissegundo, como o tempo mais rápido que o obturador de uma câmera pode abrir e fechar", segundo Wiseman.
* Os flashes apresentavam coloração "branca a branco-azulada" e eram claramente visíveis para toda a tripulação. "Para mim, não havia dúvida de que estávamos vendo isso, e todos nós estávamos vendo", afirmou o comandante.
* Jeremy Hansen, o membro canadense da tripulação, sugeriu que provavelmente havia muito mais impactos ocorrendo do que os que conseguiram observar, indicando a frequência desse fenômeno na Lua.
Kelsey Young, responsável científica lunar da missão, expressou sua surpresa durante uma coletiva de imprensa: "Eu não sei se esperava que a tripulação visse algum nesta missão, então vocês provavelmente perceberam a surpresa e o choque no meu rosto".
Entre a equipe da NASA em Houston, houve "gritos audíveis de alegria" por parte dos cientistas quando a tripulação descreveu os flashes.
A astronauta reserva da missão, Jenni Gibbons, destacou a raridade do fenômeno, afirmando que é "algo que não testemunhamos com frequência". Ela acrescentou que a observação desses impactos era "uma prioridade científica muito alta para nós, então o fato de terem visto quatro ou cinco foi simplesmente extraordinário".
As equipes em solo agora trabalham para cruzar essas observações com dados de um satélite em órbita da Lua. Young mencionou que a maioria dos registros ocorreu durante um eclipse solar, quando a Lua passou em frente ao Sol, o que pode ter facilitado a visualização dos impactos.
Bruce Betts, cientista-chefe da Planetary Society, expressou surpresa com a quantidade de impactos observados, mesmo considerando que os astronautas foram treinados para identificá-los. Segundo ele, as descrições permitirão aos cientistas "ter uma ideia da frequência dos impactos", bem como estimar o tamanho dos objetos que atingiram a Lua.
"Não é um grão de poeira, mas também não é uma rocha de um metro de tamanho", explicou.
Peter Schultz, professor emérito de Ciências Geológicas na Brown University, destacou que essas observações levantam questionamentos importantes e demonstram que o "fluxo diário de meteoros deve ser monitorado mais de perto no futuro antes que uma base lunar seja estabelecida".
Diferentemente da Terra, onde objetos menores "queimam nas camadas altas da atmosfera devido ao atrito" antes de atingir o solo, conforme observou Betts, a Lua não possui atmosfera para protegê-la desses impactos. Isso representa um dos muitos "desafios na Lua" que precisarão ser considerados em futuras missões e possíveis estabelecimentos humanos no satélite natural da Terra.