
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Aneel confirmou nesta sexta-feira (24) que a bandeira tarifária para o mês de maio será amarela. Esta decisão resultará em um custo adicional de R$ 1,885 a cada 100kWh consumidos na conta de luz dos brasileiros. A mudança ocorre após quatro meses consecutivos de bandeira verde.
A alteração na bandeira tarifária foi determinada devido à redução das chuvas na transição do período chuvoso para o seco. Este cenário climático aumenta a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custos operacionais mais elevados, e simultaneamente reduz a capacidade de geração das hidrelétricas, que são fontes de energia mais econômicas.
"De janeiro a abril deste ano, a bandeira tarifária permaneceu verde, refletindo as condições favoráveis de geração. Adotado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias é uma ferramenta essencial de transparência, permitindo que os consumidores acompanhem, mês a mês, as condições de geração de energia no país", informou a agência em comunicado oficial à imprensa.
A Aneel também aproveitou para reforçar a importância de práticas responsáveis de consumo energético. A agência reguladora destacou que os consumidores devem "cultivar bons hábitos de consumo" para "evitar desperdícios" e "contribuir para a sustentabilidade do setor elétrico".
A decisão da Aneel gerou reações no setor industrial. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifestou "preocupação" com o anúncio. "O impacto é direto nas contas de luz e nos custos das empresas, especialmente da indústria, que tem na energia um dos seus principais insumos", declarou a entidade em nota oficial.
Sérgio Pataca, coordenador de Mercado de Energia da federação mineira, avaliou que o anúncio confirma uma mudança significativa no cenário hidrológico do país. "A entrada no período seco no Sudeste, onde estão os principais reservatórios do país, reduz a capacidade de recuperação dos níveis e já começa a pressionar o custo de geração", explicou o especialista.
De acordo com a Fiemg, o atual cenário energético é agravado por um quadro climático ainda indefinido, sem confirmação do fenômeno El Niño, o que aumenta as incertezas sobre o comportamento das chuvas nos próximos meses. Esta indefinição climática pode influenciar diretamente na gestão dos recursos hídricos e, consequentemente, nos custos de geração de energia elétrica para os próximos períodos.