
© Marcello Casal JrAgência Brasil
A Anbima, em parceria com o Datafolha, revelou dados preocupantes sobre a situação financeira dos brasileiros. De acordo com a 9ª edição do Raio-X do Investidor, quase um terço (31%) da população brasileira afirmou não possuir qualquer tipo de reserva financeira ao final de 2025. Além disso, outros 32% declararam ter menos do que o colchão mínimo recomendado por especialistas para emergências, que seria suficiente para cobrir de três a cinco meses de despesas.
O levantamento realizado pela Anbima ouviu 5.832 pessoas com 16 anos ou mais sobre sua relação com o mundo dos investimentos. A pesquisa tem margem de erro de um ponto percentual para cima e para baixo, dentro do nível de confiança de 95%. A segmentação dos dados por classe social revelou disparidades significativas: * Quase metade (48%) dos brasileiros das classes D/E afirmaram não ter qualquer reserva financeira.
Na classe C, esse percentual cai para 30%. Entre as classes A e B, apenas 13% não possuem reservas Quando analisados por geração, os números também mostram diferenças importantes. A geração X (nascidos entre 1965 e 1980) lidera em falta de reservas, com 37% dos seus integrantes afirmando não guardar nada. Os millennials (nascidos entre 1981 e 1996) aparecem logo em seguida, com 28%.
A geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) e os boomers (nascidos entre 1946 e 1964) estão empatados com o menor percentual, 17% cada Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, fez uma observação importante em entrevista: "É importante fazer um recorte sobre a geração Z, que tem bandas em pontos extremos. Tem gente começando a faculdade, com uma independência financeira mínima, e tem gente já trabalhando e juntando dinheiro".
Especialistas enfatizam a importância de manter uma reserva de emergência como um dos primeiros passos para quem deseja ter uma vida financeira mais organizada. O volume ideal desse colchão financeiro depende do perfil de cada pessoa, mas recomenda-se poupar o equivalente a cerca de seis meses de despesas fixas para não passar por dificuldades em situações imprevistas, desde reparos domésticos até uma possível demissão.
A pesquisa da Anbima também investigou quais são os principais produtos financeiros utilizados pelos brasileiros. A caderneta de poupança continua sendo a preferida: 22% da população disse manter esse tipo de investimento e 20% planeja continuar usando nos próximos anos. Em seguida aparecem os títulos privados e fundos de investimento, com 7% e 5%, respectivamente.
Ações, títulos públicos e previdência privada ocupam as últimas posições do ranking, com 2% cada. Um dado curioso revelado pelo estudo é que, para os brasileiros, economizar, investir e aplicar em produtos financeiros não são considerados sinônimos. Em 2025, 33% dos entrevistados afirmaram ter economizado, 24% disseram ter investido, mas apenas 10% relataram aplicar dinheiro em produtos financeiros. Essa diferença faz sentido quando se compreende como o brasileiro define investimento. Para muitos, trata-se de "tudo aquilo em que coloco meu dinheiro esperando algum retorno", explica Billi, incluindo procedimentos estéticos, educação dos filhos, viagens, carros e imóveis.
Considerando apenas os produtos financeiros tradicionais, a Anbima e o Datafolha contabilizam cerca de 60,6 milhões de investidores no país, aproximadamente 36% da população. A projeção para este ano é que outros 8,7 milhões de brasileiros comecem a investir, o que demonstra um crescente interesse pelo mercado financeiro, apesar dos desafios relacionados à formação de reservas de emergência.