
Alexandre Ramagem durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF)
Alexandre Ramagem, ex-deputado federal condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, foi libertado nesta quarta-feira (15) nos Estados Unidos, apenas dois dias após sua detenção por agentes de imigração americanos. A informação foi confirmada por aliados do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e amplamente divulgada pela imprensa brasileira. Ramagem, que é delegado da Polícia Federal e comandou a Abin durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), havia sido condenado a 16 anos de prisão no mesmo processo que resultou na condenação do ex-presidente.
Considerado homem de confiança de Bolsonaro, ele foi acusado de integrar o núcleo central da trama golpista que buscava manter o ex-presidente no poder após sua derrota nas eleições de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A libertação de Alexandre Ramagem foi anunciada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente e atualmente radicado nos Estados Unidos.
Em mensagem publicada na rede social X, Eduardo afirmou que Ramagem está "solto e em casa" e agradeceu ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio pela "sensibilidade em tratar do caso deste verdadeiro herói nacional". O influenciador Paulo Figueiredo, próximo da família Bolsonaro, também se manifestou sobre o caso nas redes sociais. Segundo ele, Alexandre Ramagem não precisou pagar fiança para deixar a prisão porque "foi verificado que a situação imigratória dele é absolutamente regular".
Figueiredo ainda acrescentou que o ex-diretor da Abin "não responderá a nenhum processo criminal" nos Estados Unidos. Na quarta-feira, o nome de Alexandre Ramagem, de 53 anos, já não constava nas buscas no site da polícia de imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), onde havia aparecido dois dias antes. O ICE não respondeu aos pedidos de esclarecimento feitos pela agência de notícias AFP sobre o caso. A detenção de Ramagem na segunda-feira havia sido descrita pela Polícia Federal brasileira como "fruto da cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado". No entanto, Paulo Figueiredo contestou essa versão, afirmando que a prisão ocorreu "por uma infração leve de trânsito" e negando qualquer participação das autoridades brasileiras na operação.
De acordo com o influenciador, Alexandre Ramagem possui status migratório legal nos Estados Unidos enquanto aguarda a tramitação de um pedido de asilo. Informações divulgadas pela imprensa brasileira indicam que o ex-deputado teria fugido do Brasil pela Guiana, sem passar pelo controle migratório, e entrado em território americano utilizando um passaporte diplomático. O governo brasileiro havia solicitado formalmente a extradição de Alexandre Ramagem em dezembro do ano passado. Como homem de confiança de Bolsonaro, ele foi apontado como integrante central do esquema que teria tentado impedir a posse do presidente eleito Lula após as eleições de 2022.