
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, receberá nesta semana uma importante cúpula de líderes progressistas de todo o mundo, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. O evento, denominado "Mobilização Progressista Global", ocorrerá em Barcelona e destacará a crescente influência internacional de Sánchez, que tem se distinguido no cenário político global por suas posições firmes em temas controversos.
Pedro Sánchez tem ganhado notoriedade internacional por suas posturas que frequentemente contrastam com as tendências políticas predominantes na Europa, que há anos se inclina à direita. Entre suas posições mais destacadas estão os confrontos com o presidente americano, críticas contundentes a Israel e a defesa da imigração. Um dos episódios mais recentes que evidenciou sua postura independente foi sua firme oposição à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o que provocou ameaças de represálias comerciais por parte de Donald Trump.
Anteriormente, Sánchez já havia destoado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao recusar a exigência de Trump de aumentar os gastos militares para 5% do Produto Interno Bruto (PIB). O primeiro-ministro espanhol também se destacou como o líder ocidental de maior perfil a qualificar de "genocídio" a guerra de Israel contra o Hamas em Gaza, que já dura dois anos. Essa postura coerente, segundo Ignacio Molina, diretor de pesquisas no Real Instituto Elcano de Madri, rendeu frutos significativos para Sánchez no chamado Sul Global, especialmente na América Latina e no mundo árabe.
"Os números fecham bem para o governo, porque ele ganhou muito protagonismo, muita projeção, muita presença em muitos países", avaliou Molina à Agência France-Presse. Na mesma linha, Joan Botella, professor de ciências políticas da Universidade Autônoma de Barcelona, afirmou que "a Espanha conquistou um peso entre os grandes países da União Europeia que antes não tinha".
A imprensa internacional tem dado destaque às posições de Pedro Sánchez. O jornal The Wall Street Journal escreveu em março que "Pedro Sánchez tornou-se o porta-bandeira da oposição política ocidental ao presidente dos Estados Unidos", enquanto o Financial Times o qualificou como a "nêmesis de Trump na Europa". ## Cúpula Progressista em Barcelona Como atual presidente da Internacional Socialista, Pedro Sánchez será o anfitrião da cúpula Mobilização Progressista Global, que começará na próxima sexta-feira em Barcelona.
Desde que chegou ao poder em 2018, o primeiro-ministro espanhol nunca contou com uma maioria parlamentar sólida e tem enfrentado dificuldades devido aos escândalos de corrupção que afetam familiares e antigos aliados políticos. O professor Joan Botella considera que Sánchez aposta na "carta da política externa, porque é um âmbito em que se sente pessoalmente à vontade e no qual a opinião pública espanhola lhe é majoritariamente favorável". De fato, mais de 68% dos espanhóis se opõem à guerra contra o Irã, incluindo os eleitores da principal força da oposição, o conservador Partido Popular (PP), conforme revelou uma pesquisa de março publicada no jornal El País. "Os espanhóis têm um certo complexo de inferioridade quando saem para o exterior. E, nesse sentido, o perfil que a figura de Pedro Sánchez adquiriu é algo satisfatório para muita gente para além de seu apoio eleitoral", explicou Botella.
Por outro lado, o Partido Popular acusa Sánchez de utilizar a política externa como estratégia para unir as forças de esquerda divididas na Espanha e desviar a atenção das manchetes negativas que afetam seu governo. A cúpula progressista em Barcelona representa, portanto, não apenas um evento internacional significativo, mas também um momento estratégico para Pedro Sánchez fortalecer sua posição política tanto no cenário global quanto doméstico.