
Foto: Câmara dos Deputados/Reprodução
Um fenômeno político surpreendente que ocorreu há exatos 20 anos em Minas Gerais pode estar prestes a se repetir nas eleições de 2026. Em 2006, surgiu o chamado "Lulécio", quando eleitores mineiros votaram simultaneamente no então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reeleição presidencial e no tucano Aécio Neves para o governo estadual, apesar de serem adversários históricos de campos políticos distintos.
Agora, duas décadas depois, articulações políticas indicam a possibilidade de uma nova versão desse fenômeno. Nas últimas semanas, ganhou força a possibilidade de Aécio Neves, atualmente deputado federal pelo PSDB, receber apoio informal de Rodrigo Pacheco (PSB) em uma disputa ao Senado Federal. Pacheco é o nome preferido do presidente Lula para concorrer ao governo mineiro, servindo como palanque para o petista no estado. Esse cenário poderia levar parte do eleitorado a votar em Lula para presidente, Pacheco para governador e Aécio Neves para o Senado.
Recentes manifestações dos principais envolvidos reforçam essa possibilidade. Em entrevista à CNN Brasil, Aécio Neves não poupou elogios a Rodrigo Pacheco, afirmando: "Eu tenho uma relação de amizade e respeito pelo Rodrigo desde sempre, desde antes de ele entrar na vida pública. O Rodrigo sempre atuou no nosso campo político. Se elegeu senador apoiando meu ex-vice-governador Antonio Anastasia. É um quadro extraordinário da vida pública nacional".
O tucano também complementou sua fala sobre Pacheco: "Eu ocupei por 8 anos a cadeira de governador de Minas, vejo nele as condições pessoais, morais e políticas para sentar na cadeira de governador de Minas e permitir que Minas volte a crescer". Surpreendentemente, Aécio também elogiou a pré-candidata do PT ao Senado, Marília Campos: "A minha trajetória sempre foi de diálogo. Eu sempre tive conversas em Minas, inclusive com o PT. A candidata apresentada ao Senado, a prefeita Marília é uma grande amiga minha. Quando fui governador fizemos parcerias importantíssimas para Contagem. Ela sendo do PT".
A própria Marília Campos, durante evento em Belo Horizonte, afirmou que Aécio caberia no palanque mineiro de Pacheco. A petista declarou que, apesar do histórico de oposição a governos petistas, o tucano teria condições de subir no mesmo palanque do presidente Lula, justificando que "posicionamentos políticos se transformam".
Apesar dos sinais de aproximação, há resistências significativas dentro do PT. Alguns membros consideram impossível ou inadmissível que Aécio seja cogitado para integrar o mesmo palanque. A presidente do diretório mineiro do PT, deputada estadual Leninha, afirmou que uma construção de chapa com a presença de Aécio "não foi tratada", salientando que não há "ambiente favorável".
Um dos principais entraves apontados por lideranças petistas é a participação de Aécio na articulação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, junto ao ex-presidente Michel Temer. O deputado federal Rogério Correia (PT) foi contundente nas redes sociais: "Quem descarta Aécio Neves é Minas, quebrou o Estado. No caso do PT o veto é pelo golpe que costurou com Eduardo Cunha e Michel Temer contra Dilma e a democracia".