Daniel Vorcaro, junto com seus comparsas, orquestrou um sofisticado esquema de invasão aos sistemas da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para obter acesso a dados sigilosos sobre investigações relacionadas ao Banco Master. O grupo, que se comunicava através de um grupo de WhatsApp denominado “Turma”, utilizou diferentes estratégias para acessar informações confidenciais.
Os principais envolvidos no esquema foram Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. As invasões foram realizadas através de duas principais metodologias:
* Na PGR, “Sicário”, que recebia R$ 1 milhão mensais de Vorcaro, implementou uma sofisticada campanha de spearfishing direcionada a servidores do Ministério Público Federal. O golpe consistia em enviar telas falsas de troca de senhas por e-mail, replicando com precisão o ambiente digital utilizado pelos funcionários da PGR.
* Na Polícia Federal, o ex-escrivão Roseno atuou como intermediário na compra de senhas de servidores ativos. Sua experiência e conhecimento dos sistemas internos foram fundamentais para o sucesso das invasões.
A operação resultou na prisão de Vorcaro, seus comparsas e seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. O grupo foi caracterizado como “uma espécie de milícia privada”. Tragicamente, “Sicário” faleceu após uma tentativa de suicídio na superintendência da PF em Minas Gerais.
Segundo documentos da investigação, as invasões permitiram que Vorcaro tivesse acesso quase em tempo real às investigações sobre as fraudes nas carteiras de crédito vendidas ao BRB, caso que levou à liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro.
O esquema também envolveu tentativas de “esquentar” informações através do site O Bastidor, dirigido pelo jornalista Diego Escosteguy. Documentos da PF indicam que o jornalista recebia pagamentos para publicar informações de interesse do banqueiro, embora Escosteguy negue irregularidades e afirme que os repasses eram referentes a contratos publicitários.
A investigação revelou que as ações do grupo se estenderam até mesmo a organismos internacionais como FBI e Interpol, embora os detalhes dessas invasões não tenham sido divulgados na decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.