O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), renunciou ao cargo na manhã desta quinta-feira após ser afastado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão veio após uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações na Secretaria Municipal de Saúde.
A “Operação Paroxismo”, em sua segunda fase, resultou em 13 mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém (PA) e Natal (RN). As investigações apontam para um esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários, com foco no projeto e execução das obras do Hospital Geral Municipal.
Pontos principais da operação:
* A PF identificou indícios de direcionamento de licitações e desvio de recursos públicos, com um contrato no valor de R$ 69,3 milhões firmado em maio de 2024 para obras no hospital municipal.
* Durante uma ação controlada, a PF monitorou um veículo registrado em nome de Furlan transportando uma mochila com R$ 400 mil em espécie.
* O vice-prefeito Mario Neto (MDB) também foi alvo de mandados de busca e apreensão, com o STF determinando o afastamento dos servidores públicos investigados por 60 dias.
Após o afastamento, Furlan publicou um vídeo anunciando sua pré-candidatura ao governo do Amapá, alegando ser alvo de “ataques e perseguições”. “Tudo que a gente esperava está acontecendo. Ataques, perseguições, atrasos. Mas eles não estão indo contra o Furlan, estão indo contra a vontade do povo e da população de Macapá”, declarou.
Recentemente, Furlan havia se filiado ao PSD, presidido por Gilberto Kassab, que o recebeu com elogios: “Você, prefeitão, meu querido Furlan, é muito bem-vindo no PSD. Um partido que já está ao seu lado na sua extraordinária gestão à frente da prefeitura de Macapá”.
Vale ressaltar que Furlan foi reeleito em 2024 com expressivos 85,08% dos votos válidos, o maior percentual entre todas as capitais brasileiras. Sua renúncia aparentemente visa evitar uma possível cassação do mandato, o que poderia impedir seus planos de concorrer ao governo estadual.
A primeira fase da operação, realizada em setembro do ano passado, já havia identificado indícios de pagamento de propinas no esquema investigado. O caso continua sob investigação das autoridades competentes.